A tentativa de instalar um posto de recarga para carros elétricos no Aterro do Flamengo descambou para uma crise ambiental e urbanística nesta segunda-feira (15). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento foram obrigados a intervir e embargar a obra às pressas devido à total ausência de licenciamento.
A ilegalidade ganha contornos ainda mais graves por se tratar de uma área duplamente protegida: o parque é tombado nacionalmente e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. O caso agora está na mira da Polícia Civil, e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) investigará a destruição do local.
O ATROPELO AOS MORADORES E O SILÊNCIO SOBRE A MOBILIDADE
Além do crime ambiental pela derrubada de árvores, o projeto é alvo de duras críticas dos moradores da região, que denunciam terem sido completamente ignorados no processo. A comunidade aponta que a prefeitura não apresentou estudos de impacto essenciais para a convivência urbana na área:
● Caos na Mobilidade: A Praia de Botafogo e as vias de acesso ao Aterro já sofrem com retenções crônicas. A criação de um polo de atração de veículos para recarga tende a travar ainda mais o trânsito local.
● Logística de Carga e Descarga: Não há clareza de como será feito o abastecimento de insumos para a estrutura de 750 m² (que inclui dois andares e terraço), ameaçando criar gargalos com caminhões parados em vias de alta velocidade.
● Risco aos Pedestres: O Aterro do Flamengo é um espaço primordial de lazer, corrida e caminhada. O aumento do fluxo de carros cruzando áreas de passeio para acessar o eletroposto coloca em risco direto a segurança de pedestres e ciclistas.
— "Eles cercaram tudo no fim de semana e a toque de caixa estão derrubando tudo", protestou Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo, evidenciando o método evasivo da obra.
Para o jornalista Leonel Kaz, a intervenção foi vendida sob o pretexto de uma simples "exposição", mas esconde o impacto visual e estrutural de um prédio de grande porte que desfigura a paisagem planejada do parque.
AS CONTRADIÇÕES DA PREFEITURA
Pressionada, a Prefeitura do Rio limitou-se a justificar que o projeto é fruto de uma licitação de 2024 e que a estrutura — com altura máxima de 6,21 metros — ocupará o espaço de um antigo posto de combustíveis, alegando que "não há previsão de supressão de vegetação".
No entanto, a justificativa oficial esbarra em duas contradições incômodas:
● O flagrante de ilegalidade: Se o projeto promete seguir rigorosamente a legislação, a prefeitura não explicou por que permitiu o início de uma obra desse porte sem as licenças ambientais básicas.
● O silêncio das secretarias: Questionadas diretamente sobre o calote burocrático e a falta de fiscalização prévia, tanto a prefeitura quanto a Secretaria de Meio Ambiente optaram por não responder.
Questionadas diretamente sobre o calote burocrático e a falta de estudos de impacto de vizinhança, tanto a prefeitura quanto a Secretaria de Meio Ambiente optaram por não responder.
Foto: Marcia Foletto e informações da 'Mídia Informal'





