A Prefeitura de Maricá contratou a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês (*) para realizar um diagnóstico estratégico da rede municipal de saúde e elaborar o Plano Diretor da área. O contrato, publicado no Diário Oficial do município, tem valor de R$ 1.907.930,00. Com a contratação, a prefeitura confirma que NÃO HÁ EM TODO O MUNICÍPIO, profissionais gabaritados para fazer esse diagnóstico. E os membros do Conselho Municipal de Saúde, não estariam capacitados?
A contratação foi autorizada pela Secretaria Municipal de Saúde por inexigibilidade, com base na Lei Federal nº 14.133/2021 e no Decreto Municipal nº 078/2025. Na prática, o trabalho deve funcionar como um “raio-x” da saúde pública de Maricá, apontando gargalos, necessidades e caminhos para reorganizar a rede municipal, fatos denunciados diariamente pelas mídias locais em função das diversas reclamações e denúncias recebidas e também levadas à público pelos vereados DE OPOSIÇÃO na casa de leis maricaense. Isso por si só, não seria suficiente para traçar esse diagnóstico de problemas??? É preciso gasta R$ 2 milhões para tal???
A saúde, historicamente, sempre foi um dos principais problemas dos governos de Maricá (independente de época e/ou partido). A área costuma concentrar grande parte das reclamações da população, principalmente por causa da alta demanda nos atendimentos, filas, dificuldade para marcação de consultas, exames e pressão constante sobre as unidades públicas.
O problema se agravou nos últimos anos com o crescimento populacional da cidade e em função do sistema SUS que interliga todos os hospitais públicos (municipais, estaduais e federais) onde não se pode recusar nenhum paciente vindo ou advindo de qualquer cidade. Além disso, Maricá passou a receber cada vez mais moradores, mas a estrutura de atendimento em saúde não acompanhou esse avanço na mesma velocidade. Com mais gente morando na cidade, os postos de saúde, policlínicas e hospitais passaram a atender uma demanda muito maior.
Esse cenário faz com que praticamente toda a pressão recaia sobre o sistema público municipal. Seja o paciente usuário exclusivo do SUS, seja alguém com plano de saúde, a porta de entrada para muitos atendimentos de urgência e emergência acaba sendo a mesma: a rede pública de Maricá.
HÁ NECESSIDADE DE GASTAR R$ 2 MILHÕES COM QUEM NÃO CONHECE O DIA A DIA DA CIDADE?
Por isso, o diagnóstico contratado junto ao Sírio-Libanês deve ser acompanhado BEM de perto, até porque, será uma empresa e profissionais que não conhecem o dia a dia da cidade e não será da noite para o dia que entenderão e vivenciarão todos os problemas e encontrarão facilmente uma solução.
Segundo a prefeitura que gasta onde não deveria gastar (e o prefeito diz que está passando a faca em gastos desnecessários), a expectativa é que o estudo ajude a entender onde estão os principais gargalos, quais serviços precisam ser ampliados, como organizar melhor o fluxo de pacientes e quais investimentos devem ser priorizados nos próximos anos, como se isso não estivesse a olhos vistos. E volta ai a pergunta: por que não falar com os profissionais GABARITADOS que temos em nosso município? Por que não chamar os CONSELHEIROS DE SAÚDE para participar desta análise? Para que serve o CMS???
O Plano Diretor da Saúde pode servir como base para decisões sobre unidades de saúde, ampliação de serviços, organização de filas, contratação de profissionais, integração da rede e planejamento de novas estruturas.
Apesar do valor do contrato e da importância do tema, o extrato publicado no Diário Oficial não detalha o cronograma de entrega do diagnóstico, quais unidades serão avaliadas, nem quais produtos finais deverão ser apresentados pelo Sírio-Libanês. Esses pontos ainda precisam ser esclarecidos pela Prefeitura ao longo da execução do contrato.
A contratação foi assinada no dia 17 de junho de 2026 pelo secretário municipal de Saúde, Dr. Marcelo Costa Velho Mendes de Azevedo.
(*) A Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês é uma instituição filantrópica brasileira sem fins lucrativos fundada em 1921 por imigrantes. Ela é o coração e mantenedora de um dos maiores ecossistemas de saúde do país, combinando atendimento médico de excelência, pesquisa científica e forte compromisso social com o SUS.








