Com contrato assinado de R$ 466 milhões, a obra que é vista como crucial para expandir a cobertura de esgoto no 4º distrito, inclui um emissário terrestre e submarino, mas ainda há dúvidas sobre sua capacidade real e transparência técnica.
A futura ETE de Itaipuaçu, localizada no Jardim Atlântico Central, é tratada pela Prefeitura e pela Sanemar como uma das frentes mais importantes para ampliar a cobertura de esgoto no município e para sustentar a expansão das redes no 4º distrito. Em documentação oficial, a planta aparece ligada a um emissário terrestre e submarino, com contrato já assinado e valor de R$ 466.983.293,72. Capacidade da ETE e infraestrutura para expansão da rede
Em 2023 a Prefeitura informou que a rede do Jardim Atlântico Leste, com 103 km, seria conectada à ETE de Itaipuaçu, no Jardim Atlântico Central. No mesmo ciclo, a expansão do Recanto também foi apresentada como etapa conectada, primeiro por uma solução compacta e depois pela estrutura maior do Jardim Atlântico Central. Em 2025 e 2026, os documentos estratégicos da Sanemar passaram a registrar formalmente o sistema de Itaipuaçu terrestre e submarino com 4,9 km e o papel da ETE como peça de escala distrital.
Mas há uma dúvida importante nos dados oficiais: afinal, qual será a capacidade real da ETE? O relatório integrado publicado no JOM de 2025 informa que o projeto básico da ETE de Itaipuaçu foi concebido como tratamento primário para até 600 litros por segundo, o equivalente a 51.840 m³ por dia. Só que o relatório de investimentos da própria Sanemar até 2024 cita Itaipuaçu com 900 L/s, ou 77.760 m³ por dia. Como o contrato de 2026 é semi-integrado e aponta para o projeto básico como referência, a capacidade de 600 L/shoje parece ser a informação mais específica disponível — mas a divergência entre documentos oficiais continua sem esclarecimento público detalhado.
Emissário submarino e transparência
Outro ponto que chama atenção é o emissário submarino. Os documentos acessíveis confirmam que ele existe no conceito do projeto e que faz parte do pacote contratado, mas ainda deixam lacunas sobre dados que seriam fundamentais para uma cobertura técnica completa: rota exata, diâmetro, tipo de difusor, profundidade da descarga e coordenadas finais do lançamento. Isso significa que, apesar do avanço contratual, a transparência técnica ainda não acompanha o tamanho da obra.
No histórico de Maricá, já houve audiência pública oficial sobre emissário doméstico, em processo conduzido com participação estadual. Na ocasião, foram discutidos monitoramento ambiental, vida marinha, impactos sobre o sistema lagunar e proteção da restinga. Esse passado regulatório mostra que obras desse tipo exigem atenção redobrada e forte acompanhamento ambiental. Para Itaipuaçu, porém, o conjunto atual de informações públicas ainda não traz, de forma facilmente acessível, a ficha definitiva do emissário que será implantado com a nova ETE.
Avanço contratual e impacto potencial
A boa notícia é que o projeto já passou da fase de intenção. A licitação foi homologada em janeiro de 2026 em favor do Consórcio Saneando Maricá, e o contrato foi assinado em 29 de abril de 2026, com vigência de 30 meses e prazo de execução de 27 meses a partir da ordem de início. Em abril, a própria Prefeitura classificou a obra da ETE com emissário terrestre e submarino em Itaipuaçu como uma das mais importantes para o avanço do saneamento local.
Para os moradores de Itaipuaçu, o impacto potencial é enorme. A Sanemar já vinha afirmando que a estrutura distrital ajudaria a consolidar um grande “cinturão de saneamento” no 4º distrito, com efeitos sobre saúde pública, qualidade ambiental e valorização urbana. Em 2026, o utópico prefeito em suas redes sociais informou que o município tratava 16% do esgoto e queria alcançar 54% de cobertura até 2028. Em outras palavras: a ETE de Itaipuaçu não é uma obra isolada. Ela é uma engrenagem central para fazer a cidade sair do modelo de soluções pontuais e entrar numa fase de infraestrutura mais pesada.
Desafios de transparência
O que falta agora é transparência compatível com o investimento. Uma obra desse tamanho precisa ter, em linguagem pública e de fácil acesso, o traçado do emissário, o licenciamento ambiental vigente, a capacidade final consolidada, o plano de monitoramento marinho, a estratégia de manejo do lodo e um cronograma físico-financeiro acompanhável pela população. Sem isso, Itaipuaçu corre o risco de ter uma obra gigante no papel e uma comunicação ainda pequena para o tamanho do desafio.
baseado em informações do MaricáInfo com fotos de Bernardo Gomes