Em uma profunda auditoria iniciada pela nova administração do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) revelou um cenário de sucateamento e irregularidades contratuais. O órgão, que possui um orçamento anual de R$ 718 milhões, encontra-se hoje sem verba para serviços essenciais como capina e tapa-buracos, enquanto contratos sob suspeita de sobrepreço e má gestão são alvos de revisão e disputa judicial.
A precariedade reflete-se na infraestrutura das rodovias estaduais. Atualmente, dez pontos foram classificados pela área técnica como de "elevado grau de risco", com perigo real de acidentes e impacto direto à segurança da população. O caso mais emblemático é o Viaduto de Alcântara, em São Gonçalo, onde pedestres e motoristas convivem diariamente com rachaduras, ferragens expostas e queda de fragmentos de concreto — um problema identificado formalmente pelo órgão em 2024, mas que segue sem solução.
LIMPEZA NOS QUADROS E ECONOMIA
Sob o comando da coronel Gabryela Reis Dantas, que assumiu a presidência em junho, o DER-RJ iniciou um processo de saneamento financeiro:
● Combate a "fantasmas": Exoneração de 79 comissionados em cargos de alta criticidade.
● Concurso público: Preparação de seleção para 35 vagas (engenheiros e técnicos), suprindo uma carência que dura desde 2009.
● Corte de privilégios: Extinção do cartão corporativo (limite de R$ 20 mil) e revisão de contratos de telefonia e frota, gerando uma economia mensal superior a R$ 500 mil.
● Auditoria de contratos: Criação de uma corregedoria composta por técnicos da Defesa Civil e policiais militares para investigar suspeitas de sobrepreço.
Um dos pontos sob suspeita é o contrato de segurança armada, orçado em R$ 14 milhões anuais. A auditoria constatou que, apesar do alto valor, os vigilantes não portam armas e não há estrutura de segurança (cofres) na sede do órgão para esse fim.
SUSPEITAS E INTERFERÊNCIAS POLÍTICAS
A gestão anterior, liderada por Pedro Henrique de Oliveira Ramos (março de 2023 a junho de 2026), é alvo de intensas críticas. Fontes ligadas ao órgão apontam que a indicação de Ramos teria o selo do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar — atualmente detido em presídio federal sob acusações de envolvimento com facções criminosas e contravenção.
O TCE - Tribunal de Contas do Estado já havia emitido alertas sobre o DER no período, incluindo a suspensão de um contrato de R$ 250 milhões para a instalação de radares nas rodovias RJ-104 e RJ-106, ignorado pela antiga administração. Mais recentemente, o TCE identificou um prejuízo estimado em R$ 2 bilhões no contrato de concessão da RJ-116, que liga a Região Metropolitana à Região Serrana.
EMERGÊNCIA EM DEZ PONTOS DO ESTADO
A nova diretoria de obras elencou, a partir de critérios de perigo iminente e fluxo de veículos, as prioridades para intervenção, que demandarão crédito suplementar. Seis das dez obras críticas somam um custo imediato de R$ 155,7 milhões. Entre os pontos mais graves, além do Viaduto de Alcântara, estão erosões em trechos críticos das rodovias RJ-135 (Rio das Flores), RJ-142 (entre Nova Friburgo e Casimiro de Abreu) e RJ-125 (Japeri).
Procurado pela reportagem, o ex-presidente Pedro Henrique não se manifestou. Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que a atuação política do ex-deputado "pautou-se sempre pela legalidade e no firme combate à criminalidade organizada"

















































