Cidade de grandes belezas naturais e com a presença de um povo lindo e acolhedor, a cidade completa 212 anos sendo acidade mais rica do país (que mais royalties do petróleo recebe), com o 8º PIB nacional, mas atualmente extremamente mal administrada, com o povo triste, revoltado (apenas os 'amigos do alcaide' sorriem, mesmo que alguns com um sorriso amarelo), com medo das vinganças e da possibilidade de exonerações da noite para o dia. Cidade bilionária, mas com um prefeito utópico que mais viaja do que permanece na cidade e que só apresenta projetos megalômanos e quase todos utópicos, ao invés de conservar o que foi feito nos últimos oito anos, briga com sua criação e pouco faz pela cidade que vive uma invasão de moradores em situação de rua e uma violência crescente que preocupa os moradores.
Mas, eu (jornalista Pery Salgado, que completarei 45 anos na cidade no mês de agosto), tenho certeza que a cidade é pujante, receptiva, com povo acolhedor e lindo e que em breve seremos libertados do julgo 'coronelista' ao qual vivemos.
A história
A história de Maricá remonta ao século XVI, quando a região era habitada pelos índios tupinambás. O povoado começou a se formar com a doação de sesmarias a partir de 1574 e a fundação da Fazenda São Bento pelos monges beneditinos. A cidade atual floresceu após a construção da Igreja Nossa Senhora do Amparo, no início do século XIX.
Origem e Primeiros Habitantes
Antes da chegada dos colonizadores portugueses, a região era ocupada por povos originários do tronco linguístico macro-jê, e posteriormente pelos tupinambás (tamoios), que foram os habitantes encontrados no litoral no século XVI. O nome "Maricá" deriva de uma árvore abundante na área, o espinheiro-maricá (Mimosa sepiaria).
Sesmarias e a Pesca Milagrosa
A colônia Maricá começou a ser povoada no início do século XVI, devido à necessidade da Coroa Portuguesa de defender o litoral de ataques dos corsários franceses. A partir de 1574, as terras foram doadas aos colonizadores portugueses, divididas em sesmarias (lotes de terras distribuídos em nome do rei de Portugal, com intenção de incentivar o cultivo em terras virgens).
A ocupação oficial teve início em 8 de janeiro de 1574, com a concessão de sesmarias. No século XVI, a região era constantemente visitada e alvo de expedições, como a do padre José de Anchieta em 1584, que ficou conhecida historicamente por ter realizado ali a chamada "pesca miraculosa".
O primeiro centro efetivo de população, fundado por monges beneditinos em 1635, surgiu junto à Fazenda de São Bento, em São José do Imbassaí, onde foi construída a primeira capela dedicada à Nossa Senhora do Amparo.
Em 1814 (considerado o ano da fundação da cidade de Maricá), o local passou a se chamar Vila de Santa Maria de Maricá, em homenagem à rainha D. Maria I de Portugal. Em 1889, o recém-criado governo republicano elevou a vila à categoria de cidade quando de sua emancipação do município de Niterói ao qual fazia parte. O nome Maricá vem de uma árvore denominada Mimosa sepiaria Benth, popularmente conhecida como espinheiro-maricá, muito comum e abundante na região.
A Estrada de Ferro de Maricá também faz parte da história da cidade. Seu primeiro trecho, em 1888, ligava as estações de Alcântara e Rio do Ouro. Entre 1911 e 1940, a ferrovia viveu seu auge, e o trecho foi ampliado até Cabo Frio, onde registrava um grande volume de cargas da produção local. Com o declínio da atividade agrícola, os trechos foram sendo desativados até o encerramento definitivo, em 1966.
Familia imperial
A história de Maricá também é rica em personagens ilustres e nomes de representatividade, como o do padre José de Anchieta, responsável, em 1584, pela a “pesca milagrosa” na Lagoa de Araçatiba (no episódio, ele dizia antecipadamente aos índios os peixes que conseguiriam fisgar, e a pescaria foi tão proveitosa que não havia homens suficientes para recolher tudo). Em 1868, a Princesa Isabel e o Conde D´Eu hospedaram-se na sede da Fazenda do Pilar (Ubatiba).
Caminhos de Charles Darwin
Já o naturalista britânico Charles Darwin incluiu Itaipuaçu em seu roteiro de pesquisas sobre fauna e flora da Mata Atlântica, em 1832. Os estudos resultaram em observações escritas no livro “A Origem das Espécies”, que tornou o cientista famoso no mundo todo. O circuito de trilhas por onde andou ficou conhecido como “Caminhos de Darwin” e é hoje uma atração turística de Maricá.
Originalmente, o povoado ficava próximo à margem da lagoa, mas devido a surtos de doenças (malária/dengue), o Padre Vicente Ferreira Noronha decidiu transferir o núcleo urbano para o lado oposto. Em 1781, foi lançada a pedra fundamental da Igreja Nossa Senhora do Amparo, inaugurada em 1802, dando origem ao atual Centro da cidade.
Desenvolvimento e Emancipação
A localidade progrediu como uma importante área de pescadores e ligação com municípios vizinhos. Em 1889, graças ao seu desenvolvimento, a antiga vila foi elevada à categoria de cidade. O século XX marcou a expansão dos loteamentos na cidade, impulsionados pela construção da Rodovia Amaral Peixoto.
Jacintho Luiz Caetano foi o maior visionário e progressista maricaense. Construiu um império, trouxe a luz elétrica para a cidade, ajudou muitos a terem seu próprio comércio, ajudou a construir escolas e fundou a Viação Nossa Senhora do Amparo em 10 de maio de 1950, hoje um orgulho para o povo maricaense.
Geografia
A cidade é rodeada por maciços costeiros. As serras principais são Calaboca, Mato Grosso (onde fica o ponto mais alto do município, o Pico da Lagoinha, com 890 metros), Lagarto, Silvado, Espraiado e Tiririca.
No município está localizado um grande complexo lagunar, que contempla as lagoas de Maricá, Barra de Maricá, do Padre, Guarapina, Jacaroá, Araçatiba, Boqueirão e Jaconé. Elas são ligadas ao mar por meio dos canais de Ponta Negra e Itaipuaçu.
Maricá também é conhecida por suas praias oceânicas, entre as quais se destacam as de Jaconé, Ponta Negra, Barra de Maricá, do Francês e Itaipuaçu. A topografia peculiar cria um ambiente propício à prática de esportes radicais como voo livre, trekking e mountain bike, entre outros.
A Serra da Tiririca, entre Maricá e Niterói, é um parque estadual com valioso trecho de Mata Atlântica.
A Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá, tipicamente de restinga, localizada na costa do município, é formada pela antiga fazenda São Bento da Lagoa, a Ponta do Fundão e a Ilha Cardosa. Abriga ainda a comunidade pesqueira tradicional de Zacarias, presente desde o século XVIII, os sítios arqueológicos e o complexo ecossistema de restinga.
Território e limites
Atualmente, o território municipal estende-se por 362.480 km², dividido entre os distritos Maricá (sede), Ponta Negra, Inoã e Itaipuaçu. Sua população é estimada em 215.000 pessoas (IBGE, 2024).
Personagens ilustres atuais
Figuras de destaque da cultura brasileira também tiveram ligação estreita com a cidade e a escolheram para fixar residência ou ter casa de veraneio. São, por exemplo, os casos das cantoras Maysa e Beth Carvalho, do antropólogo Darcy Ribeiro e do jornalista João Saldanha.
Como forma de preservar a memória dessas relações de afeto, a Prefeitura vem adquirindo os imóveis que pertenceram a eles em vida para transformá-los em museus e espaços culturais. São todos bem próximos, na extensão das belas praias do Cordeirinho e de Barra de Maricá. O projeto recebeu o nome de Circuito Cultural Caminho das Artes.
Pesquisa: Pery Salgado (jornalista) baseado em informações de Renata Gama, Maria da Penha, Alexandra Lambraki, Cezar Brum e Luisete Furtado
Imagens: arquivo CULTURARTE e Prefeitura de Maricá
Realização: PR PRODUÇÕES