"O desenvolvimento de Maricá não pode ser apresentado como prêmio eleitoral, muito menos como favor de um governante" Amaro Barros
Maricá recebe recursos extraordinários dos royalties do petróleo. Por isso, a população tem todo o direito de cobrar planejamento, transparência e resultados concretos.Não basta anunciar milhares de empregos, aeroporto, porto, Petrobras e grandes projetos. É preciso esclarecer o que foi efetivamente aprovado, contratado, executado e concluído, quais investimentos estão assegurados e quais são os prazos para transformar promessas em realidade.
Tampouco cabe atribuir a um futuro governo federal toda a responsabilidade pelo desenvolvimento municipal. A Prefeitura também precisa responder pela qualidade de seu planejamento e pela aplicação dos recursos que administra.
O desenvolvimento de Maricá não pode ser apresentado como prêmio eleitoral, muito menos como favor de um governante.
E OS TRABALHADORES? E QUEM DEPENDE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS?
Existem denúncias e relatos de demissões, exonerações e suspensões de benefícios que, segundo seus denunciantes, poderiam estar relacionados a disputas políticas, inclusive situações envolvendo protetoras de animais atendidas pelo Mumbucão.
Cada caso precisa ser apurado, com documentos, justificativas administrativas e direito de resposta. Não seria correto afirmar, sem provas, que todas essas decisões decorreram de perseguição política. Mas também não seria aceitável ignorar denúncias dessa gravidade.
Se empregos, contratos ou benefícios públicos estiverem sendo utilizados para pressionar cidadãos por suas preferências eleitorais, as autoridades competentes precisam investigar.
Um trabalhador não pode ter de escolher entre sua consciência política e o sustento da família. Um benefício público não pode se transformar em instrumento de obediência partidária.
Não estou afirmando que a fala do vídeo contenha uma ordem expressa de demissão ou suspensão de benefícios. Estou cobrando que o prefeito esclareça sua mensagem e garanta que as decisões administrativas sejam tomadas conforme a lei, e não conforme a preferência política de cada cidadão.
AS URNAS TAMBÉM ENVIAM RECADOS!
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu mais votos para presidente em Maricá do que Lula, no município administrado por Quaquá.
Isso não significa que todos rejeitem a administração municipal, nem que cada voto tenha o mesmo significado político. Mas demonstra que o eleitorado não é um bloco uniforme subordinado às orientações da Prefeitura.
O cidadão pode aprovar uma política municipal e rejeitar o candidato presidencial do prefeito. Pode votar em candidatos diferentes para cargos diferentes. Isso não é deslealdade: é democracia!
Quaquá tem o direito de fazer campanha para Lula. Mas precisa compreender que os eleitores que escolheram outro candidato também pagam impostos, vivem em Maricá e merecem respeito.
PREFEITO, O SENHOR PRECISA ESCLARECER SUA MENSAGEM!
Washington Quaquá, quando o senhor associa o futuro econômico de Maricá à eleição de seu candidato, cabe perguntar:
1. Quais projetos anunciados já têm recursos assegurados, compromissos formais e cronogramas definidos?
2. Se Lula não for eleito, quais projetos estarão efetivamente ameaçados e com base em quais compromissos documentados?
3. O senhor garante que nenhum trabalhador, contratado, servidor ou beneficiário será prejudicado por sua preferência eleitoral?
4. Os programas municipais serão administrados por critérios objetivos e legais, sem perseguições motivadas por divergências políticas?
São perguntas legítimas. A resposta deve ser objetiva, esclarecedora e verificável, não apenas mais um discurso eleitoral.
O PODER PASSA. AS CONSEQUÊNCIAS FICAM.
Maricá não pode viver sob a lógica de que seu futuro depende da permanência de determinado grupo político ou da eleição de seus aliados em Brasília.
Uma administração responsável constrói projetos que atravessam governos, formaliza compromissos e prepara a cidade para avançar independentemente de quem vença as eleições.
Prefeitos passam. Presidentes passam. Partidos ganham e perdem. A cidade permanece, e a população paga a conta das decisões tomadas.
O cidadão tem o direito de avaliar se a declaração do prefeito foi uma explicação legítima sobre relações institucionais ou uma advertência política capaz de gerar temor entre os eleitores.
Cada um fará seu julgamento. Mas nenhuma autoridade deve confundir o direito de pedir votos com o direito de associar as expectativas de futuro de uma população à vitória de seu candidato.
O prefeito tem o direito de pedir votos para Lula. O povo de Maricá tem o mesmo direito de escolher outro candidato. E a Prefeitura tem a obrigação de respeitar todos eles!
A cidade não é propriedade do prefeito. O voto não é propriedade do partido. E o futuro de Maricá pertence aos maricaenses!
Texto: Amaro Siqueira Barros (radialista e jornalista)