Amanda da Silva Nóbio, de 27 anos, faleceu dias após dar à luz no Hospital Estadual Azevedo Lima; familiares apontam que dores não foram investigadas.
Amanda da Silva Nóbio, de 27 anos, morreu poucos dias após dar à luz no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A família da jovem registrou boletim de ocorrência, apontando possível negligência no atendimento médico, e cobra esclarecimentos sobre a morte. A Fundação Saúde, responsável pela gestão do hospital, abriu sindicância para apurar o caso.
Segundo o pai, Aldecir Nóbio de Souza, de 59 anos, Amanda deu entrada na unidade na terça-feira (03/3) com cerca de 35 semanas de gestação, após notar perda de líquido amniótico. “Minha filha me mandou um áudio dizendo que estava indo para o hospital porque estava vazando líquido. Ela estava grávida de oito meses”, contou Aldecir. No mesmo dia, Amanda teve parto normal. A bebê nasceu prematura, mas inicialmente mãe e filha estavam bem.
Na quarta-feira (04), a recém-nascida apresentou dificuldade para mamar e não conseguia chorar, sendo levada à UTI neonatal. No mesmo dia, Amanda começou a sentir fortes dores, segundo relatos da família. “Toda vez que ela reclamava de dor, a acompanhante falava com as enfermeiras para chamar o médico. Mas diziam que era dor do parto e não davam a mínima importância”, afirmou Aldecir. A jovem chegou a enviar áudios chorando, relatando que as dores não passavam.
Os sintomas de Amanda teriam sido inicialmente atribuídos a gases ou ansiedade. Apenas medicamentos para dor foram administrados, sem a realização de exames complementares. Na noite de quinta-feira (05), por volta das 19h44, Amanda sofreu episódios de vômito e desmaios dentro do hospital e não resistiu. O atestado de óbito apontou causa indeterminada.
Amanda também era mãe de um menino de 10 anos com autismo grau 3 (severo), que depende de cuidados especiais. Com a morte da mãe, o cuidado da criança ficou sob responsabilidade da família.
A Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Fundação Saúde, informou que uma sindicância foi aberta para investigar rigorosamente o atendimento prestado à paciente. A apuração vai avaliar protocolos médicos e a atuação da equipe de enfermagem.
Especialistas destacam que complicações pós-parto podem ocorrer mesmo em partos considerados normais, incluindo hemorragias, infecções e tromboses. O monitoramento constante e a realização de exames imediatos diante de sintomas persistentes são essenciais para prevenir desfechos trágicos.
A recém-nascida permanece internada na UTI neonatal do hospital, e a família segue aguardando respostas sobre as circunstâncias que levaram à morte de Amanda.




