sexta-feira, 18 de setembro de 2026

AS ORGIAS NAS IGREJAS EVANGÉLICAS. PASTORA HELENA RAQUEL DENUNCIA (vídeo)

Depoimentos revelam os padrões de abuso e manipulação dentro das igrejas evangélicas 


O discurso da pastora Helena Raquel, principal líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra, durante o Congresso dos Gideões em Balneário Camboriú (SC), no dia 2 de maio, expôs uma chaga até então varrida para debaixo dos púlpitos evangélicos: a pedofilia e o abuso sexual cometidos por pastores. Com uma pregação de uma hora e vinte minutos, Helena Raquel acusou a cúpula religiosa de silenciar sistematicamente as vítimas — um tabu que, segundo ela, precisa ser enfrentado de dentro para fora. 

Enquanto denominações evangélicas, descentralizadas e sem uma autoridade única, resistem a adotar medidas protetivas consistentes, a fala de Helena Raquel  expõe a inversão de valores que faz com que que faz com que agressores sejam acolhidos e vítimas, culpadas. A rara coragem da pastora, que nunca antes havia sido manifestada por uma liderança de seu porte, ecoou nas redes sociais e encorajou mulheres vítimas de abuso a romperem o silêncio, como mostram depoimentos inéditos colhidos pela revista VEJA e posteriormente por outras mídias.

Ane Almeida, 42 anos e o "deslize do Pastor"

A psicóloga tinha 16 anos quando foi abusada sexualmente por um pastor de sua confiança, que a levou a um motel após meses de aproximação. Quando conseguiu contar o absurdo à esposa dele, a igreja tratou o caso como um “deslize” do pastor e se voltou contra Ane, que passou a ser vista como “a sedutora”. “A comunidade orou por ele. A vítima nem é ouvida ou olhada”, relata. Hoje trabalha com mulheres cristãs vítimas de abuso: “Muitas não entendem que foram vítimas”. 

Aos 17 anos, a catarinense foi apalpada dentro da piscina de um retiro jovem por um pastor da Assembleia de Deus de Balneário Camboriú, que depois passou a enviar mensagens dizendo que estava apaixonado e que tinha sonhos eróticos com ela. Ao levar as denúncias a uma conselheira e ao pastor presidente, foi orientada a apagar tudo e não fazer escândalo.


O abusador foi apenas transferido de congregação e só preso meses depois, quando outras adolescentes foram violentadas por ele. “Se eu tivesse sido ouvida, as outras crianças não teriam sido abusadas depois”, afirma Jéssica, que se afastou da igreja após ser chamada de “espírito de pomba gira” pela esposa do agressor. 

Vanilda Bordieri, 52 anos 

Cantora gospel, ela tinha apenas 16 anos quando líderes da igreja a incentivaram a se aproximar de um obreiro recém-separado, sob a justificativa de que seria um “plano de Deus”. No primeiro encontro, foi levada a um sítio, estuprada e abandonada sozinha no local. Punida e julgada pela comunidade enquanto o agressor era acolhido, Vanilda só se reconheceu como vítima por  dos 30 anos. “Fui jogada a um predador. O abuso é uma marca que você carrega independente do tempo. Não é que eu demorei para falar, eles demoraram para me ouvir”, diz ela. 

Claudia Almeida Matos Nogueira, 57 anos

A violência começou aos 5 anos, quando a família foi como missionária para a Bolívia. Claudia passou a ser abusada sexual, física e espiritualmente por seu pai, um pastor evangélico. Ao contar para a mãe, foi espancada pelo pai, obrigada a desmentir tudo e dormiu de castigo. Os abusos se estenderam até os 21 anos, dentro e fora da igreja, enquanto a instituição religiosa apenas transferia o pai de cidade ou país a cada escândalo. “Meu pai era um homem que falava de Deus. Era considerado exemplar. Era um ungido, líder. Em casa, ele era um demônio”, diz Claudia, que tentou suicídio duas vezes e, mesmo depois de adulta e missionária, foi mandada embora da instituição ao publicar um livro sobre o caso. 

Adrielle Garcia, 40

A terapeuta tinha cerca de 20 anos e frequentava uma igreja batista pentecostal em Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro, onde via o pastor como um irmão mais velho e brincalhão. Durante uma viagem ao monte com o pastor, o marido e a sobrinha, ao dormirem na casa do religioso, ele colocou a mão em seu seio. Envergonhada, fingiu que nada havia acontecido. No dia seguinte, o pastor pediu perdão pelo toque “com maldade”, mas logo ela descobriu que uma amiga do ministério de dança havia passado pela mesma situação na mesma semana: ele havia passado a mão na perna dela e também se desculpado em seguida. “Ninguém acredita quando a gente denuncia o pastor”, diz Adrielle. “Hoje acho que a igreja é um dos piores ambientes para mulher sobreviver. Falta voz!!!"

Ana Carollo, 30 anos

Com apenas 12 anos, a estudante foi chamada por um pastor auxiliar à sala onde ele supostamente gravaria um programa de rádio. Sozinha com ela, o homem começou a se masturbar e a se masturbar e a massagear seu corpo. Quando o caso foi levado ao pastor líder, o agressor negou tudo, e a esposa dele, grávida, disse que Ana estava destruindo a família. Silenciada e tomada pela culpa, a menina ainda permaneceu na mesma igreja por algum tempo. “A igreja prefere tratar tudo internamente para não manchar a imagem. Por isso escondem violências, abusos e adultério”, afirmou Ana.

Casal de pastores oferecia Pix e punia vítimas para silenciar estupros

Líderes religiosos usavam dinheiro, transferências via Pix e ameaças de expulsão da igreja para impedir denúncias

Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, foram indiciados pela Polícia Civil de Roraima (PC-RR) por crimes sexuais contra adolescentes.


A investigação concluiu que o casal se valia da posição de liderança religiosa para cometer os abusos e, em seguida, oferecia dinheiro em espécie e transferências via Pix às vítimas ao mesmo tempo em que as ameaçava com punições internas da própria igreja para garantir o silêncio delas.

Ao mesmo tempo, documentos da própria instituição religiosa previam sanções para quem promovesse “rebeldia” ou “dissidência” contra a liderança.

Na prática, denunciar os pastores equivalia a ser acusado de causar divisão entre os fiéis, o que poderia resultar em expulsão da comunidade. Integrantes que ocupavam cargos em ministérios ou na diretoria da igreja também corriam o risco de perder suas funções caso fossem vistos como desleais à liderança. O ambiente criado pelo casal tornava a denúncia, para as vítimas, um ato de alto custo pessoal e espiritual.

Instrumentalização da fé

O relatório final do inquérito destaca que os investigados recorriam, sistematicamente, à posição de autoridade religiosa para intimidar fiéis e manter as vítimas sob influência, desencorajando adolescentes e membros da comunidade a questionar suas condutas.

A delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, foi direta ao nomear o que a investigação encontrou.

Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento”, destacou.

A PC-RR concluiu que não houve consentimento livre das vítimas e que os fatos se deram em um contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção. A fé, nesse caso, não era apenas pano de fundo: era o instrumento central de controle.

Indiciamentos e próximos passos

Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima de Souza foi indiciado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.

Arielly Kamyla Moraes de Souza responderá, em tese, por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

A investigação também apurou tentativa de destruição de provas. Uma mulher de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores por ter participado, segundo a PC-RR, da destruição do celular do pastor, com a ajuda de uma adolescente e de uma das próprias vítimas.

Uma das jovens envolvidas teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência (BO) falso para justificar o desaparecimento do aparelho. O caso agora segue para o Ministério Público (MP), que decidirá sobre o oferecimento de denúncia e o início da ação penal.

Pastor faz sexo com fiéis para “livrá-los da morte” e é preso no DF

Na quarta-feira (22/5/24), a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um pastor evangélico acusado de abusar da fé dos fiéis para obter favores sexuais. O homem de 41 anos, que pregava em uma igreja em Samambaia, era visto como uma figura quase profética na comunidade religiosa local.

O pastor alegava ter visões de um futuro sombrio que envolviam a morte de parentes das vítimas. Para “salvar” as pessoas desse destino trágico, ele as coagia a participar de atos sexuais, incluindo sexo oral e relações sexuais, tanto com ele quanto com outros membros da igreja, conforme informações da coluna Na Mira, do Metrópoles.

Uma mulher de 58 anos, também pastora em Sobradinho, foi identificada como cúmplice do pastor. Ela ajudava nas ameaças aos fiéis, inclusive participando de atividades sexuais. Os pastores também obtinham vantagens financeiras dos membros do templo religioso e praticavam orgias em chácara bancada pelos fiéis.

Para satisfazer o desejo sexual, o pastor garantiu às vítimas que “Deus” teria dado ordem para que ele salvasse as esposas do obreiro da morte. A “revelação” consistia na realização de “sete unções” que teriam o poder de “quebrar a “maldição” e salvar a vida das mulheres. Para funcionar, as unções teriam que ser realizadas nas partes íntimas do fiel.

Milhares de outros casos

Um vídeo vazou em redes sociais do interior de São Paulo mostrando um pastor com 'duas servas (literalmente)' em sua sala enquanto acontecia o culto (podia-se ouvir os louvores ao fundo). Um delas 'prepara o pastor com sexo oral para que a seguir a outra fizesse sexo com o pastor. Após cerca de cinco minutos, ouve a troca e aquela que fez sexo oral anteriormente, passa a ter relações com o 'líder religioso' que abraça e faz carícias íntimas com a que acabou de ter relações.

Em 23 de dezembro de 2024, um líder religioso foi preso, acusado de usar da sua influência para cometer abusos sexuais, inclusive contra duas adolescentes. Até o momento, quatro pessoas já fizeram denúncias sobre os abusos. Dentre as menores de idade, uma alegou ter sido abusada pelo suspeito dos 12 aos 17 anos de idade.