A licitação estimada em R$ 57,1 milhões, marcada para o último dia do ano, segue repercutindo em Maricá não apenas pelo valor expressivo e pela data atípica, mas também pelo contexto político-administrativo em que está inserida.
O pregão, conforme revelado pelo jornal Tempo Real RJ on line, é conduzido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, pasta comandada por um secretário que também exerce mandato parlamentar, o que amplia naturalmente o grau de interesse público e necessidade de transparência absoluta.
Poder concentrado e ambiente político sensível
Nos bastidores da política local, a licitação ocorre em meio a diversas denúncias já formalizadas no plenário da Câmara Municipal, além de críticas recorrentes sobre a concentração de decisões estratégicas em poucas mãos dentro do governo do prefeito Washington Quaquá, gestor que possui condenação judicial já confirmada, fato público e notório.
Esse cenário faz com que qualquer movimentação financeira de grande porte, especialmente às vésperas do encerramento do exercício fiscal, seja observada com lupa por vereadores, lideranças comunitárias e pela imprensa.
Em cidades que administram orçamentos bilionários oriundos de royalties, o crescimento patrimonial de agentes públicos costuma despertar questionamentos legítimos da sociedade.
Não se trata de acusação, mas de direito à transparência.
Especialistas ouvidos pela TVC ressaltam que, quando patrimônios pessoais apresentam evolução significativa ao longo do exercício de cargos estratégicos, o caminho institucional correto é simples: explicação, comprovação e cruzamento de dados, prática comum em democracias maduras.
O papel dos órgãos de fiscalização
Nesse contexto, cresce nos bastidores uma reflexão inevitável: o que aconteceria se houvesse um cruzamento amplo de dados fiscais, bancários e patrimoniais envolvendo agentes públicos estratégicos do município?
A pergunta não carrega juízo de valor, mas aponta para uma realidade conhecida do país: operações da Receita Federal e de órgãos de controle costumam produzir efeitos sísmicos quando encontram incompatibilidades entre renda declarada e patrimônio acumulado.
Não por acaso, analistas afirmam que um pente-fino técnico e isento poderia representar um verdadeiro “terremoto administrativo” em regiões altamente irrigadas por recursos públicos, como a Região dos Lagos.
Silêncio institucional e dever de resposta
Até o momento, não houve manifestação pública do Executivo municipal ou da Secretaria responsável esclarecendo a escolha da data, os critérios técnicos do pregão e as garantias adicionais de fiscalização diante do valor envolvido.
matéria da TVC - TV Copacabana web
N.R.: A TVC – TV do Povo e o jornal Barão de Inohan, reforçam que o espaço permanece aberto para que todos os agentes citados se manifestem, apresentem documentos e esclareçam quaisquer dúvidas.
Ao levantar questionamentos, a TVC não acusa fiscaliza, assim como procede o jornal Barão de Inohan nos seus 17 anos.
Em um município onde centenas de milhões de reais circulam anualmente, transparência não é favor: é obrigação.
Seguiremos acompanhando cada etapa desse processo, porque quando o dinheiro é público, a vigilância também precisa ser.






