terça-feira, 6 de janeiro de 2026

FAMÍLIA DENUNCIA POSSÍVEL NEGLIGÊNCIA NA MORTE DA BEBÊ MARIA JULIA

 Pais afirmam que criança tinha chances de sobreviver e apontam falhas no atendimento, falta de equipamentos e possível erro na dosagem de medicamentos


A morte da bebê Maria Julia Guille de Canos Fernandes, de apenas três meses, após atendimento na UPA Municipal Santa Rita, em Maricá, tem gerado questionamentos sobre a condução médica adotada durante a tentativa de reanimação. O caso ocorreu no dia 26 de dezembro de 2025 e passou a ser investigado após a família levantar suspeitas de falhas no atendimento de emergência.

Segundo familiares, a criança passou mal enquanto era alimentada em casa. Ao perceber alterações no comportamento da filha, o pai, Júlio César Ferreira, decidiu levá-la imediatamente à unidade de saúde mais próxima. A bebê chegou a ser atendida pela equipe médica e, de acordo com o relato da família, apresentou resposta inicial aos estímulos, o que teria indicado possibilidade de estabilização.

Apesar disso, o quadro se agravou durante o atendimento. A família afirma que a unidade não dispunha, naquele momento, de equipamentos essenciais dentro da sala de emergência, como sistema de aspiração adequado, bolsa de ventilação manual e tubos apropriados para intubação infantil. Diante de um quadro de broncoaspiração, a equipe teria recorrido a métodos improvisados enquanto buscava materiais fora do ambiente de atendimento.

Outro ponto que levanta dúvidas diz respeito às manobras de reanimação. O pai afirma ter presenciado procedimentos que, segundo ele, não seriam compatíveis com os protocolos indicados para lactentes, além de relatar dificuldades técnicas durante a intubação da criança.

Ainda conforme a família, houve recusa da equipe em transferir a bebê para o Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, unidade de maior complexidade, mesmo diante da gravidade do caso. O pai sustenta que a ausência de recursos adequados na UPA teria comprometido as chances de sobrevivência da filha.

Após o óbito, surgiram novos questionamentos a partir da análise dos documentos médicos. A família aponta divergências na identificação dos profissionais responsáveis pelos procedimentos, além de possível erro na dosagem de medicamentos administrados durante a reanimação. O laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML) confirmou que a bebê possuía cardiopatia congênita, condição que exige cuidado redobrado na condução clínica e no uso de determinadas medicações.

O exame também apontou alterações no coração e nos pulmões, além da presença de leite nas vias respiratórias, achado que, segundo os familiares, reforça a hipótese de falha na aspiração durante o atendimento.

Diante das suspeitas, a família procurou a Polícia Civil, que abriu investigação por meio da 82ª DP (Maricá). O caso também deve ser analisado por órgãos de fiscalização profissional.

NOTA DA PREFEITURA

Em nota, a Prefeitura de Maricá afirmou que a criança deu entrada na unidade em parada cardiorrespiratória e que todas as medidas adotadas seguiram os protocolos clínicos vigentes. A administração municipal informou ainda que a unidade possui equipes completas e equipamentos em funcionamento, e que não há, até o momento, comprovação técnica de erro médico.

N.R.: A prefeitura e a secretaria de saúde nunca admitem a possibilidade de erros médicos, onde sabemos que, não só na UPA, mas no hospital com nome de bandido em São José e no Conde, os erros infelizmente acontecem. Nós fomos vítimas de um deles em 08 de junho de 2024 (https://obaraoj.blogspot.com/2024/06/mais-uma-crianca-nao-consegue-nascer.html).

A investigação segue em andamento para esclarecer se houve falha, omissão ou irregularidade no atendimento prestado à criança.

baseado em informações do O INFORMATIVO on line