quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

DELAROLI FAZ FAXINA NA ALERJ: mais de 200 funcionários exonerados e investigação de suspeita de cargos fantasmas

 Exoneração foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial, na terça-feira (06/01).


A ALERJ - Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro exonerou mais de 200 funcionários em uma edição extraordinária do Diário Oficial publicada na terça-feira (06/01). A presidência da Casa suspeita que haja funcionários fantasmas entre os nomeados.

Entre os exonerados estão pessoas indicadas por políticos influentes do estado. Na Alerj, a antiguidade costuma garantir espaço e cargos para aliados, mesmo após o fim dos mandatos. Sérgio Cabral presidiu a Casa entre 1995 e 2003, e Paulo Melo, entre 2011 e 2015.

Até recentemente, nomes ligados aos dois ainda ocupavam funções importantes na Assembleia, até que nesta terça, 206 pessoas foram exoneradas.

Do total de exonerados, pelo menos 47 eram indicações de Paulo Melo, e 17 de Sérgio Cabral.

Susana Neves Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral, estava na Alerj desde 2016. Ela foi exonerada nesta terça-feira.

As demissões são assinadas pelo presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delarolli (PL).

Marco Antônio Cabral, filho de Susana e Sérgio Cabral, estava nomeado desde 2023 em uma vaga no departamento de arquivo da Casa e também foi exonerado.

Dilson Avelino da Silva, conhecido como Magrinho, que trabalhou com Marco Antônio Cabral em Brasília quando ele era deputado federal, ocupava um cargo na assessoria da presidência da Assembleia e foi dispensado.

O Diário Oficial extraordinário ganhou o apelido de “caça-fantasmas”. A nova presidência da Casa suspeita que parte dos exonerados não cumpria expediente.

Aliados do ex-presidente Paulo Melo também aparecem na lista. O treinador de artes marciais Pedro Lukas, que aparece em vídeos com Melo, estava nomeado na presidência da Alerj.

Marcelo Ferreira Neves, outro ligado a Paulo Melo, também perdeu o cargo. Ele atuava como segurança do então presidente em 2014, quando criminosos tentaram invadir a fazenda do parlamentar e acabou baleado.

Após o episódio, foi nomeado para um cargo que atravessou diferentes gestões, até a exoneração desta terça-feira.

O que dizem os citados

Em nota, Paulo Melo afirmou que a demissão dessas pessoas é um direito legítimo de quem está no poder. Ele disse que Marcelo Neves e Pedro Lukas atuavam atualmente junto à deputada Franciane Mota, esposa de Paulo Melo, e destacou que os dois prestaram serviços relevantes.

Sobre os 47 indicados por ele e agora exonerados, o ex-deputado disse que eram colaboradores que deram continuidade ao trabalho desenvolvido.

O ex-governador Sérgio Cabral disse que deixou a presidência da Alerj em janeiro de 2003, para assumir o mandato de senador da República. "Desde então, não tenho qualquer ingerência sobre as decisões administrativas da Alerj".