quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

MENOR PAÍS AFRICANO VIRA MAIOR DESTINO DE TURISMO SEXUAL PARA MULHERES EM BUSCA DE HOMENS (BUMSTERS)

 


A Gâmbia passou a ganhar projeção internacional por um fenômeno turístico específico que envolve mulheres europeias mais velhas que viajam ao país em busca de afeto, romance e, em muitos casos, relações íntimas com homens locais mais jovens. Para várias dessas visitantes, a experiência vai além do lazer tradicional: elas descrevem a estadia como um período de redescoberta pessoal, no qual se sentem vistas, desejadas e emocionalmente valorizadas. Em depoimentos recorrentes, algumas afirmam que no país voltaram a se sentir vivas, atraentes e importantes, algo que dizem não experimentar com a mesma intensidade em seus locais de origem.

Os homens gambianos que se relacionam com essas turistas são popularmente conhecidos como “bumsters”, um termo local usado para designar jovens que circulam por praias, hotéis, bares e áreas turísticas oferecendo companhia, conversas, amizade, ajuda prática e, em alguns casos, envolvimento romântico ou sexual com estrangeiras. Embora a palavra tenha, para parte da população, uma conotação negativa ou estigmatizante, muitos desses jovens afirmam que essa dinâmica faz parte de uma estratégia de sobrevivência em um país com poucas oportunidades econômicas.

Segundo relatos amplamente divulgados pela imprensa internacional, essas relações nem sempre se resumem ao sexo. Muitos bumsters dizem que oferecem atenção, escuta, afeto e presença constante, além de estabelecerem vínculos emocionais que podem durar semanas, meses ou até anos. Em troca, recebem apoio financeiro, presentes, ajuda para pagar despesas básicas ou, em alguns casos, a promessa de uma vida melhor fora do país. Para eles, trata-se de uma troca complexa, marcada por expectativas mútuas e pela esperança de mudança social e econômica.

Os encontros geralmente começam de forma casual, em ambientes frequentados por turistas, e podem evoluir rapidamente para relações mais próximas. Muitas mulheres envolvidas rejeitam a ideia de exploração e defendem que tudo acontece de maneira consciente e consensual entre adultos. Elas afirmam saber exatamente o que estão fazendo e argumentam que os homens também participam por vontade própria, enxergando benefícios claros nessas interações.

Ainda assim, pesquisadores, ativistas e críticos apontam que a profunda desigualdade econômica entre turistas europeias e jovens gambianos cria um desequilíbrio de poder difícil de ignorar. Mesmo quando há consentimento, essa diferença de condições pode influenciar escolhas, limites e expectativas, levantando debates sobre dependência financeira, vulnerabilidade social e a linha tênue entre romance, interesse e necessidade.

Diante da repercussão internacional do tema, autoridades da Gâmbia já demonstraram preocupação com a imagem do país associada quase exclusivamente aos bumsters e ao turismo sexual. Representantes do governo e do setor turístico têm reforçado que a nação oferece muito mais do que esse estereótipo, destacando sua rica cultura, paisagens naturais, música, gastronomia e hospitalidade tradicional. Para eles, reduzir a Gâmbia a esse fenômeno é ignorar a complexidade social e cultural do país, que busca ser reconhecido além desse rótulo controverso.