A GURGEL FOI A PRIMEIRA A PRODUZIR CARROS ELÉTRICOS NO BRASIL
A Gurgel surgiu oficialmente com a fundação da Gurgel Motores, em 1 de setembro de 1969, por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, em São Paulo, com o objetivo de desenvolver veículos genuinamente nacionais.
Embora já atuasse na produção de karts e minicarros, a empresa entrou no mercado automobilístico com o bugre Ipanema (foto acima), que utilizava mecânica Volkswagen.
Desde o início, a proposta esbarrou em um ambiente industrial pouco favorável, marcado pela ausência de políticas públicas consistentes para estimular fabricantes independentes no setor automotivo brasileiro.
Ao longo de sua trajetória, a Gurgel produziu diversos modelos, com destaque para os jipes compactos da linha X, como o X-12 (carro em vermelho acima) e o Carajás (foto abaixo), além do BR-800 (foto acima), considerado o primeiro automóvel 100% nacional.
Também fabricou a picape X-20 (foto abaixo).
Desenvolveu outros veículos como Supermini, X-10, X-15, G-800 (foto abaixo) e projetos especiais.
Apesar da diversidade de produtos e do uso de soluções próprias, como carrocerias em fibra de vidro, a empresa não contou com incentivos fiscais, linhas de crédito adequadas ou proteção industrial equivalentes às concedidas a grandes montadoras estrangeiras instaladas no país.
VEÍCULOS ELÉTRICOS
A Gurgel também foi pioneira no desenvolvimento de veículos elétricos no Brasil, com os modelos Itaipu E150, apresentado como protótipo em 1974 (foto acima), e o Itaipu E400, produzido em série a partir de 1980 (foto abaixo).
Ambos eram voltados ao uso urbano e à eficiência energética, antecipando tendências globais. No entanto, a inexistência de políticas públicas de fomento à tecnologia nacional, infraestrutura adequada e incentivos à inovação limitou a viabilidade comercial desses projetos, apesar de seu caráter inovador. Porém, várias empresas brasileiras utilizaram as pickups e furgões Gurgel elétricos no seu dia a dia.
A falência da Gurgel resultou de um conjunto de fatores, entre eles dificuldades financeiras e um ambiente econômico adverso, mas foi fortemente agravada pela falta de apoio governamental. A empresa enfrentou juros elevados, ausência de crédito competitivo, carga tributária desfavorável e falta de proteção frente à concorrência externa. Sem respaldo institucional para sustentar um projeto industrial nacional de longo prazo, as dificuldades se acumularam, culminando na incapacidade de honrar compromissos financeiros e no encerramento de suas atividades.















