segunda-feira, 22 de maio de 2023

Palacete Rio Madeira cedido aos estudantes de RO há 60 anos, continua na mão do exército, desde 64

O Palacete Rio Madeira cedido aos estudantes de Rondônia representados pela URES (União Rondoniense de Estudantes Secundaristas) por decreto lei nº 386 de 08/07/1963, com o golpe militar de 1964, foi ocupado pelo Exército que se mantém no local até os dias de hoje.


O jornalista rondoniense Zola Xavier da Silveira que em 24 de março próximo passado lançou o livro UM FRENTE POPULAR NO OESTE DO BRASIL em Porto Velho, percorrendo posteriormente cidades de Rondônia para também efetuar o lançamento, esteve na sexta feira 19 de maio na Taberna da Glória (icônico local da cultura e alta gastronomia carioca), para lançar, no estado do Rio de Janeiro, o seu livro contando histórias do Território Federal de Rondônia, desde sua criação com o nome de Guaporé.

Em um dos capítulos, Zola fala desta lamentável ocupação do Palacete Rio Madeira pelo exército brasileiro, onde no dia 08 de julho próximo, representantes da URES farão uma manifestação comemorativa pelos 60 anos da cessão do Palacete aos estudantes rondonienses, solicitando a devolução do local aos seus verdadeiros donos. Segundo informações, a data será comemorada com bolo e muita festa em frente ao Palacete, tudo de forma extremamente pacífica.

Lançamento do livro da Taberna da Glória

Velhos companheiros de militância de Zola Xavier estiveram presentes para prestigiar o lançamento. Na noite, o fato mais comentado por Zola aos presentes foi a ocupação do Palacete Rio Madeira pelos militares fato que ainda causa indignação até os dias atuais. 

Um dos presentes ao lançamento, o advogado Ramirez Beltrão do Vale, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro se mostrou surpreso e indignado com essa violência a qual denominou de "resquícios da ditadura na distante Rondônia".

Após matérias publicadas por mídias rondonienses e pelo jornal Barão de Inohan fez com que o renomado jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo em sua coluna "Duas linhas e meia", encabeçando a publicação de 18 de maio (véspera do lançamento na Taberna da Glória) colocasse em destaque que o "prédio histórico localizado no coração de Porto Velho, capital de Rondônia, o Palacete Rio Madeira foi ocupado pelo Exército após o golpe de 1964 e até hoje, 59 anos depois, não foi devolvido à verdadeira proprietária, a URES. A denúncia faz parte do livro ‘Uma Frente Popular no Oeste do Brasil’ de autoria do jornalista Zola Xavier da Silveira". 

Essas poucas linhas de Ancelmo Gois, foram o estopim que gerou uma forte repercussão em Rondônia. Vinicius Miguel, advogado e professor de Direito da Universidade Federal de Rondônia - UNIR, entrou em contato com Zola se mostrando empenhado na defesa da causa dos estudantes de Rondônia.


O Palacete Rio Madeira, também abrigou uma representação do lendário CPC - Centro Popular de Cultura da UNE. Um dos fundadores do CPC, o diretor, produtor e ator Jorge Coutinho (89), esteve presente no lançamento do livro declarando: "o livro Uma Frente Popular no Oeste do Brasil é a cara do CPC da UNE". Além de Coutinho, participaram da fundação do CPC Ferreira Gullar, Carlos Lyra, Glauber Rocha, Oduvaldo Viana Filho dentre outros.

Zola recebeu amigos das 19 às 22 horas em uma noite que entrou para o rol de grandes momentos vividos e presenciados pelas icônicas paredes e mesas da tradicional Taberna da Glória.