sábado, 30 de maio de 2026

Professor cria biocimento com alunos de escola pública e ganha prêmio nacional

 Um professor de matemática sem formação em engenharia juntou alunos de escola pública no interior da Bahia e transformou papel velho e casca de coco em biocimento, o projeto virou startup, ganhou R$ 200 mil em prêmio nacional e já pavimenta calçadas de graça


O professor Thales Nascimento, de Serrinha, na Bahia, reuniu alunos do ensino médio de uma escola pública para criar um biocimento sustentável feito com papel reciclado e fibra de coco. Após mais de um ano de testes, o grupo desenvolveu blocos para calçadas populares de baixo custo. Segundo informações do G1, o projeto venceu o Prêmio LED da TV Globo e da Fundação Roberto Marinho entre mais de 2,3 mil inscritos e levou R$ 200 mil para transformar o biocimento em startup com produção estimada de mil blocos por dia.

Um professor de matemática e empreendedorismo sem nenhuma formação em engenharia criou um biocimento a partir de lixo no interior da Bahia. Thales Nascimento, que leciona em uma escola pública em Serrinha, a 180 quilômetros de Salvador, reuniu alunos do ensino médio para transformar papel descartado e fibra de coco, materiais abundantes na cidade, em blocos de construção para calçadas populares. O biocimento surgiu de uma inquietação prática: como transformar resíduos em algo útil para a comunidade.

O reconhecimento veio em escala nacional. O projeto venceu o Prêmio LED, Luz na Educação, iniciativa da TV Globo e da Fundação Roberto Marinho que premia projetos inovadores na educação brasileira. Entre mais de 2,3 mil inscritos na edição deste ano, Thales foi o vencedor na categoria Educadores e recebeu R$ 200 mil para estruturar uma startup a partir do biocimento desenvolvido com os alunos. A meta é comprar maquinário e iniciar produção em escala comercial de aproximadamente mil blocos por dia.

Como alunos de escola pública criaram o biocimento

O processo de criação do biocimento não seguiu nenhum manual de engenharia. Thales e seus alunos estudaram por conta própria o funcionamento de máquinas, misturas e técnicas de construção civil, testando combinações de papel reciclado e fibra de coco até encontrar uma fórmula que produzisse blocos resistentes o suficiente para pavimentar calçadas. “Nem todo sonho começa dando certo. Os primeiros blocos não ficaram bons, mas fomos aprendendo no processo”, contou o professor sobre os meses de tentativa e erro.

O papel reciclado e a fibra de coco são materiais que em Serrinha normalmente seriam descartados. A cidade gera volume constante de ambos, e a utilização como matéria-prima para o biocimento resolve simultaneamente dois problemas: reduz o lixo e produz um material de construção acessível.

As calçadas gratuitas e o impacto na comunidade

O biocimento já saiu do laboratório escolar e chegou às ruas de Serrinha. Duas famílias da comunidade receberam calçadas produzidas gratuitamente pelo projeto, demonstrando na prática que os blocos suportam uso real e resistem às condições climáticas do semiárido baiano.

A repercussão fez moradores começarem a doar matéria-prima para a escola e procurar a equipe para entender como poderiam participar da iniciativa. O biocimento também passou a ser usado em ações de ressocialização dentro do sistema prisional da região, ampliando o impacto social do projeto para além dos muros da escola. Para Thales, “a gente está provando que dentro da escola pública existem alunos descobrindo seu potencial e colocando isso para fora”.

O prêmio de R$ 200 mil que transformou o biocimento em startup

O Prêmio LED recebeu mais de 2,3 mil inscrições de projetos educacionais de todo o Brasil. A vitória do biocimento de Serrinha na categoria Educadores rendeu R$ 200 mil que serão investidos na compra de maquinário, na estruturação da empresa e no início da produção em escala comercial. A expectativa é fabricar cerca de mil blocos por dia na primeira fase.

A startup, batizada de Biocimento do Sertão, já conta com identidade visual, redes sociais e estrutura de contato para receber encomendas. O desafio agora é escalar a produção sem perder a essência do projeto: usar matéria-prima local, gerar emprego na comunidade e manter o preço acessível para populações de baixa renda que precisam de pavimentação básica em seus bairros.

O que o biocimento ensina sobre inovação no Brasil

A história de Thales e seus alunos desmonta a ideia de que inovação exige laboratórios caros, formação acadêmica de ponta e investimento milionário. O biocimento nasceu em uma escola pública do interior da Bahia, com papel velho e casca de coco, criado por um professor de matemática e adolescentes do ensino médio que nunca tinham entrado em uma fábrica de blocos antes.

O projeto também demonstra que a educação pública pode gerar tecnologia aplicável quando o professor assume o papel de facilitador e os alunos são colocados como protagonistas de soluções reais. O biocimento de Serrinha não é apenas um material de construção: é a prova de que o conhecimento prático, combinado com persistência e recursos mínimos, pode criar empresas, resolver problemas urbanos e transformar a perspectiva de vida de jovens que a maioria do país sequer enxerga.

Você sabia que alunos de escola pública na Bahia criaram um biocimento com papel e casca de coco que já virou startup? O que mais impressiona: a falta de formação em engenharia, os R$ 200 mil de prêmio ou as calçadas gratuitas? Conta nos comentários.