Uma frota milionária de ônibus movidos a hidrogênio, adquirida como símbolo do “transporte do futuro”, virou motivo de polêmica e frustração em São Bernardo do Campo (SP). A cidade investiu pesado nessas tecnologias limpas, mas os veículos acabaram encostados por meses, sem circular, por um detalhe básico e inacreditável: faltou combustível para abastecê-los. Enquanto isso, os ônibus tradicionais seguiram rodando normalmente pelas ruas, deixando a promessa de modernidade apenas no papel.
Os ônibus a hidrogênio foram apresentados como solução sustentável, com menor impacto ambiental e imagem de cidade inovadora. Porém, a ausência de estrutura adequada para fornecimento contínuo de hidrogênio expôs um grave erro de planejamento. A administração municipal não garantiu, de forma efetiva, a logística de abastecimento, o que transformou o que seria um marco tecnológico em um grande imbróglio de gestão pública. O resultado? Veículos caríssimos parados, sem cumprir o papel para o qual foram comprados.
Moradores e especialistas em mobilidade urbana passaram a questionar como um projeto tão ousado foi levado adiante sem segurança operacional. Equipamentos avançados exigem cadeia de suprimento estável e contratos claros com fornecedores, algo que, na prática, não funcionou. Críticas apontam que a pressa em mostrar inovação teria superado o cuidado com a viabilidade real do sistema. Além disso, começam a surgir dúvidas sobre custos de manutenção desses ônibus enquanto permanecem fora de circulação.
O caso acende um alerta para outras cidades que avaliam investir em soluções “do futuro” para o transporte coletivo. Tecnologia sem planejamento sólido pode significar dinheiro público parado em garagens, em vez de beneficiar a população nas ruas. Em São Bernardo do Campo, a experiência com os ônibus a hidrogênio virou exemplo de como a falta de combustível não é apenas um problema técnico, mas um retrato de falhas estratégicas que colocam em xeque a eficiência de projetos tidos como revolucionários.
MARICÁ TAMBÉM VEM TESTANDO ÔNIBUS DE HIDROGÊNIO
- Tecnologia: Os ônibus utilizam um motor elétrico alimentado por baterias e uma pilha a combustível de hidrogênio (que gera energia a bordo), garantindo emissão zero de poluentes.
- Parceria: O projeto é desenvolvido pelo Laboratório de Hidrogênio da Coppe/UFRJ em parceria com o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e a Empresa Pública de Transportes (EPT).
- Fase Atual: Testes com passageiros estão sendo realizados, incluindo trajetos entre os hospitais Ernesto Che Guevara e Conde Modesto Leal.
- Investimento: Cerca de R$ 11,5 milhões foram investidos no desenvolvimento de três veículos sustentáveis (elétrico-hidrogênio, elétrico-etanol e 100% elétrico).
- Meta: O objetivo é substituir toda a frota municipal atual (145 ônibus) por tecnologias não poluentes, com planos para montagem desses veículos na própria cidade.






