segunda-feira, 6 de abril de 2026

Artesanato ganha novo impulso com pacote federal de estrutura e cadastro

 Investimento de R$ 28 milhões busca ampliar renda e integrar artesãos ao mercado


O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte anunciou na terça-feira (31/03), em Brasília, um pacote de ações para fortalecer o artesanato e ampliar a formalização no setor, enfrentando gargalos históricos como a dificuldade de acesso a mercados, logística e políticas públicas. A iniciativa reúne cerca de R$ 28 milhões em investimentos e marca as comemorações do Mês do Artesão e dos 35 anos do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB).

As medidas foram apresentadas durante a cerimônia “Mãos que fazem o Brasil” e combinam três frentes centrais: estrutura para circulação da produção, modernização do cadastro nacional e qualificação dos artesãos, pilares considerados essenciais para ampliar renda e dar escala ao setor.

O ministro Márcio França destacou o papel do artesanato na economia e na identidade do país. “As mãos de vocês não são apenas mãos que constroem arte, são, na verdade, a própria alma do Brasil. Vocês resistiram, sustentaram o país em momentos difíceis e foram responsáveis por grande parte dos empregos gerados nos últimos anos. O Brasil segue de pé por causa de vocês”, afirmou.

SICAB: modernização

Outro eixo estruturante é o novo Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB), relançado como base da política pública para o setor.

Mais do que um banco de dados, o sistema é a porta de entrada para a formalização: é por meio dele que o artesão obtém a Carteira Nacional do Artesão, documento válido em todo o país que permite acessar editais, capacitações, feiras e outras políticas públicas.

O SICAB organiza informações de artesãos, mestres artesãos, associações e cooperativas, permitindo uma visão nacional do setor e a formulação de políticas mais eficientes. Também possibilita o pré-cadastro digital e a atualização de dados, facilitando a entrada de novos profissionais na rede.

A formalização é o que garante acesso real às oportunidades. Quando a gente fortalece o cadastro e melhora a logística, está, na prática, abrindo mercado e gerando renda”, afirmou o secretário Milton Coelho. “O artesanato vai além da economia: ele representa a nossa cultura, a nossa identidade e o sustento de milhares de famílias.

Qualificação e inovação

O pacote inclui ainda a implantação de cinco novos Laboratórios Criativos, no Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, com investimento de cerca de R$ 6 milhões.

Os espaços funcionam como ambientes de formação prática, onde os artesãos podem aprimorar técnicas, desenvolver produtos com maior valor agregado e se conectar a novos mercados. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 500 profissionais.

Também foi lançado o edital de Mestre Artesão e Mestra Artesã, voltado ao reconhecimento de detentores de saberes tradicionais e à valorização da transmissão de conhecimento entre gerações.

Impacto direto nos estados

Na ponta, a expectativa é de mudança imediata na dinâmica de comercialização e atendimento aos artesãos.

A participação em feiras é fundamental para abrir mercado e dar visibilidade ao nosso artesanato. Os veículos vão permitir rodar o estado, levar serviços, facilitar a emissão da carteira e também apoiar o transporte das peças. É uma mudança concreta para quem está na ponta”, afirmou Camila Bandeira, diretora de Artesanato e Economia Criativa de Pernambuco.

Para Daiane Santana, diretora de Sergipe, os investimentos fortalecem toda a cadeia produtiva. “Essa estrutura impulsiona o artesão a produzir mais e melhor, gerando renda e movimentando a economia. A gente vê o artesanato brasileiro crescer e se consolidar como um grande polo de desenvolvimento.”

Uma política que ganha escala

Presente nas 27 unidades da Federação e em mais de 3.900 municípios, o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) chega aos 35 anos como a principal política pública federal para o setor.

Ao integrar logística, formalização e qualificação, o novo pacote busca dar escala a essa política e consolidar o artesanato como vetor de desenvolvimento econômico, cultural e social no país, com mais renda, mais acesso a mercados e mais reconhecimento para quem vive do fazer manual.