terça-feira, 21 de março de 2017

Vacinação contra febre amarela se estenderá a todos os cariocas a partir de sábado

Cada posto de saúde terá que aplicar, pelo menos, 250 doses por dia

A confirmação de dois casos de febre amarela no estado provocou uma corrida aos postos de saúde. No Rio, as longas filas e o número limitado de doses da vacina têm deixado os cariocas frustrados. Para ampliar o atendimento, a Subsecretaria municipal de Vigilância em Saúde anunciou que aumentará, a partir de hoje, a quantidade de senhas em 34 postos do município. Cada unidade terá que aplicar, pelo menos, 250 doses por dia, mas a recomendação é que, até sexta-feira, sejam atendidas apenas as pessoas com viagem marcada para áreas onde há ocorrência da doença. Já no próximo sábado, todos os 233 postos da rede municipal de saúde farão um dia de mobilização, estendendo a vacinação a toda a população. A campanha continuará a partir da próxima segunda-feira, em toda a rede.

— Há unidades que vacinam um pouco mais e outras um pouco menos, depende da capacidade operacional. Em média, nesta semana, todas elas vão fazer 250 aplicações por dia. Umas já fazem até mais do que isso. Não é um aumento igual para todo mundo, mas todas vão se esforçar para aplicar pelo menos 250 doses — explicou a subsecretária Cristina Lemos, que aguarda o Ministério da Saúde enviar doses extras da vacina.

ESCOLAS PODERÃO SER POSTOS

No sábado, muitos cariocas não conseguiram ser vacinados, por causa do número limitado de senhas. No Centro Municipal de Saúde Milton Fontes Magarão, no Engenho de Dentro, por exemplo, só foram distribuídas 50 senhas, que acabaram rapidamente. Filas também se formaram nas unidades da Tijuca, do Irajá, de Botafogo, da Gávea e do Recreio dos Bandeirantes.

A subsecretária reiterou o pedido para que as pessoas sem viagem marcada para áreas de risco aguardem o início da campanha de vacinação.

— Gostaríamos de contar com a colaboração da população para que procurem as unidades somente as pessoas que forem para áreas de registro de ocorrências, porque a gente precisa se organizar tecnicamente e dentro das recomendações logísticas. Precisamos ter equipe técnica capacitada, geladeiras para guardar um grande contingente de vacinas, seringas e agulhas. Todo esse processo precisa de um tempo para ser ajustado — disse Cristina, informando ainda que, no sábado, os postos, que costumam fechar ao meio-dia, ficarão abertos também à tarde, das 8h às 17h, voltados, exclusivamente, para a vacinação contra a febre amarela.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, de 1º de janeiro até 16 de março, 126 mil pessoas foram vacinadas no município do Rio. No entanto, desde 2008, mais de um milhão de moradores já foram imunizados. Em Casimiro de Abreu, onde foram registrados os dois únicos casos de pessoas com a doença (sendo uma morte), mais de 90% da população já está vacinada.

A campanha de imunização já está sendo feita em 64 das 92 cidades fluminenses. Na semana passada, a Região Serrana foi incluída na lista após a descoberta de um caso da doença em Juiz de Fora (MG), bem perto da divisa com o Estado do Rio.

A partir de hoje, as escolas estaduais também poderão ser usadas como postos de vacinação. O secretário estadual da Casa Civil, Christino Áureo, informou que o objetivo é desafogar as unidades de saúde. Segundo ele, os prefeitos poderão pedir ao governo para usar os colégios.

— Gostaria de tranquilizar a população e, mais uma vez, explicar que não há necessidade de uma corrida aos postos de saúde. Todo mundo será vacinado — afirmou Áureo.

O secretário garantiu que a crise que atinge o governo do estado não vai prejudicar o combate à febre amarela:

— Fizemos uma revisão no orçamento e, apesar da dificuldade orçamentária, não há falta de recursos. Não sei dizer em números quanto isso representa, mas estamos suprindo na medida da necessidade.

Já o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior, disse que não há falta de vacina nos postos:

— O Ministério da Saúde tem enviado vacinas com regularidade e já solicitou à Organização Mundial de Saúde (OMS) acesso ao seu estoque estratégico. Isso significa que o país, e não só o Rio, pode receber de 3,5 milhões a cinco milhões de doses nos próximos dias.

SAIBA MAIS SOBRE A VACINAÇÃO:

RESTRIÇÕES: A vacina não é recomendada para gestantes; idosos; crianças menores de 9 meses; pessoas com alergia a algum componente da vacina e a ovos e derivados; pacientes em terapias imunossupressoras; quem têm doenças autoimunes; pacientes transplantados de medula óssea; pessoas com histórico de doença do timo e com problemas neurológicos de natureza desmielizante, como Síndrome de Guillain-Barré e ELA, entre outras.

VALIDADE: De acordo com o Ministério da Saúde, a primeira dose da vacina imuniza o indivíduo por dez anos. Quem recebe a segunda dose está protegido para a vida inteira.

ONDE: A aplicação é gratuita em postos de saúde da rede pública em todo o país. Na cidade do Rio, está sendo oferecida em 34 postos, mas, na próxima semana, o número de unidades será ampliado. Em clínicas privadas, a dose custa entre R$ 150 e R$ 240, segundo pesquisa do GLOBO.

SINTOMAS: Febre, dores no corpo e icterícia (que deixa a pele e as mucosas amareladas). Na fase inicial, a doença também causa perda de apetite, náuseas e vômito. Em casos mais graves, há sangramento por boca, nariz e olhos, além de fortes dores abdominais, afetando órgãos como estômago, fígado e rins.