quarta-feira, 8 de março de 2017

Renda per capita tem tombo maior do que na década perdida

Só em 2016 recuo foi de 4,4%


O Produto Interno Bruto (PIB) per capita — total de riqueza gerada pela economia dividido pela população do país, uma medida de desenvolvimento que guarda correlação com o bem-estar — teve queda de 4,4% em termos reais em 2016, alcançando R$ 30.407. O indicador já havia caído 4,6% em 2015.

Considerando que o atual ciclo recessivo começou no segundo trimestre de 2014, com a desaceleração abrupta da economia, a renda per capita acumula retração de 11% em onze trimestres, superando os 7,5% da chamada década perdida (1981 a 1992), nos cálculos de Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do banco Goldman Sachs.

O número é péssima notícia para os brasileiros, que não têm outros indicadores a comemorar dentro do PIB divulgado pelo IBGE, que apontou segundo ano seguido de recessão. A queda do consumo das famílias, que responde por 60% do resultado do PIB brasileiro, pela ótica da demanda, se aprofundou em 2016, recuando 4,2%, frente à queda de 3,9% registrada no ano anterior.

Essa piora é reflexo de um primeiro semestre muito ruim para as famílias, com inflação ainda alta e o desemprego acelerando, o que corroeu os salários e reduziu ainda mais o poder de compra do brasileiro. No último trimestre, a retração foi de 2,9% em relação ao trimestre anterior. Em 2015, primeiro ano da recessão, o consumo das famílias caiu depois de 11 anos seguidos de resultados positivos. A última queda havia ocorrido em 2003, de -0,5%.

Com a trajetória de desaceleração da inflação no fim do ano — o IPCA encerrou 2016 em 6,29%, frente aos 10,67% registrados no ano anterior — o mercado de trabalho é hoje o principal entrave para uma melhora desse componente do PIB. A taxa de desemprego bateu recorde negativo em 2016, atingindo em média 11,5% da força de trabalho ou 11,8 milhões de pessoas. E, no trimestre encerrado em janeiro deste ano, acelerou para 12,3%. O desemprego, além de frear o consumo, foi determinante para que a parcela de famílias com contas ou dívidas em atraso alcançasse 23,6% em 2016, alta de 18,4% em relação a 2015, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Outro dificultador da retomada do consumo.

Para este ano, porém, espera-se que o desemprego comece a desacelerar no segundo semestre e que a inflação fique no centro da meta do Banco Central, que é de 4,5%, dando um alívio ao bolso dos brasileiros.