Segundo reportagem de Robson Bonin, publicada pela Veja em 19 de setembro, integrantes da cúpula do Exército estariam revoltados com o que consideram uma omissão do Supremo diante das provas da Polícia Federal relacionadas a Alexandre de Moraes. A cobrança, segundo a revista, é para que a Corte aplique a Moraes o mesmo rigor que aplicou aos militares acusados de envolvimento na chamada trama golpista.
O caso envolve materiais extraídos do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que passaram a ser relacionados a uma investigação envolvendo o ministro. O julgamento que analisaria a abertura da investigação estava previsto para 15 de setembro, mas não avançou. Flávio Dino pediu vista após uma sessão marcada por tumulto, e o processo saiu de pauta antes da análise do mérito.
A Veja também relatou que integrantes do comando do Exército evitariam qualquer manifestação pública que pudesse ser interpretada como afronta institucional. Segundo um interlocutor ouvido pela revista, a frase interna teria sido direta: “O STF que lute com sua desgraça.”
Dias depois, no programa ALive de 2 de outubro, Claudio Dantas afirmou que militares já teriam enviado recados a ministros do Supremo, entre eles Gilmar Mendes e Edson Fachin. Segundo ele, a mensagem seria de que as Forças Armadas não deveriam ser chamadas a intervir caso a Corte provocasse uma crise, violasse a Constituição ou boicotasse a eleição.
São relatos atribuídos a fontes e veículos específicos, não uma manifestação oficial do Exército. O ponto central da reportagem é a existência de uma cobrança interna para que o STF aplique a Moraes o mesmo padrão de rigor utilizado anteriormente contra oficiais militares.
No programa ALive da sexta-feira (02/10), Claudio Dantas afirmou que militares já teriam enviado um recado a ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Gilmar Mendes e Edson Fachin, de que não pretendem intervir caso a Corte provoque uma crise institucional ou envolva o país em um conflito com uma potência estrangeira.
Segundo Dantas, a mensagem atribuída aos militares teria sido direta: “Não contem conosco pra nada, não podemos, não queremos, não faremos.” A orientação, de acordo com o relato, seria para que os próprios ministros assumam as consequências caso provoquem uma crise, violem a Constituição, impeçam ou boicotem uma eleição ou dificultem a posse de um presidente eleito.
Dantas também afirmou que defende que o Supremo respeite a vontade popular, a legislação e a Constituição, evitando que conflitos internos sejam resolvidos por forças estrangeiras. Segundo ele, quando outro país intervém para “resolver” um problema brasileiro, também age de acordo com seus próprios interesses.
No mesmo programa, Dantas comentou a suspensão do atendimento das embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália às vésperas da votação. Segundo ele, os governos teriam recebido alertas de inteligência sobre uma questão de segurança no Brasil. Os dois países falaram em segurança, mas não detalharam publicamente o motivo.
O relato apresentado no programa não é acompanhado, no texto, por uma nota oficial das Forças Armadas. A informação divulgada por Dantas é apresentada como um recado atribuído a militares aos ministros do Supremo.
Fonte: Veja / Claudio Dantas






