quinta-feira, 8 de outubro de 2026

QUEM FISCALIZA O “SENHOR FEUDAL”? por Priscilla Motta de Queiros


Maricá tem prefeito.

Maricá tem Câmara de Vereadores.

Maricá tem 21 parlamentares eleitos para representar a população.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita:

Quem fiscaliza o poder quando quase ninguém parece disposto a contrariá-lo?

Vereador não foi eleito para ser extensão do Executivo. Foi eleito para legislar, fiscalizar, cobrar respostas e defender o interesse público.

Ser oposição não é obrigação.

Ser situação também não é problema.

O problema começa quando a lealdade política passa a valer mais do que a independência institucional.

Uma Câmara forte não precisa ser inimiga do prefeito. Mas também não pode funcionar como uma plateia do governo.

Se existem contratos milionários, obras questionadas, serviços públicos que não funcionam, denúncias apresentadas e dúvidas sobre a aplicação do dinheiro público, a obrigação do Legislativo é simples:

PERGUNTAR. INVESTIGAR. FISCALIZAR.

E se a resposta estiver correta, que seja apresentada à população.

Mas se houver silêncio, a pergunta continuará:

Por que alguns vereadores parecem tão confortáveis em não incomodar quem detém o poder?

Maricá não pertence ao prefeito.

Não pertence aos vereadores.

Não pertence a partido nenhum.

Maricá pertence aos maricaenses.

E democracia não combina com vassalagem.

Vereador não é súdito.

Prefeito não é senhor feudal.

E cidadão não é servo.

A pergunta é: quem terá coragem de exercer o mandato para o qual foi eleito? 


Texto: Priscilla Motta de Queiros (Advogada, com atuação em direito público administrativo e criminal. Assessora Parlamentar, palestrante e escritora apaixonada por política)