Por que o povo brasileiro ainda vota no PT?
Na minha visão, a resposta é menos complicada do que muitos querem fazer parecer.
Porque o PT aprendeu a transformar necessidade em dependência e dependência em poder político.
Não estou falando contra auxílio, assistência social ou solidariedade. Muito pelo contrário. Quem tem fome precisa comer. Quem está doente precisa ser socorrido. Quem não consegue trabalhar precisa ser amparado. Isso é obrigação de uma sociedade minimamente humana.
O que eu não aceito é transformar uma ajuda que deveria ser temporária e emancipadora em uma espécie de salário permanente da pobreza.
É aí que está o problema.
O Estado oferece o benefício, o cidadão passa a depender dele, e o partido que controla o Estado passa a ser apresentado — ou a se apresentar — como o responsável por aquela sobrevivência.
Isso é uma forma moderna de cabresto.
Não é mais o coronel da velha política dizendo “você vota em mim porque eu mando”.
É muito mais sofisticado:
“Você precisa de mim. Se eu sair, quem vai cuidar de você?”
Pronto. Está criado o curral.
E enquanto isso acontece, o Brasil continua sendo um país extraordinariamente rico em recursos, território, capacidade produtiva e potencial humano, mas com uma população que, em grande parte, continua pobre.
Um país rico não deveria precisar produzir pobres dependentes do Estado para sobreviver.
Eu defendo outra coisa.
Quer dar auxílio? Dê.
Quer combater a fome? Combata.
Quer garantir dignidade a quem está temporariamente sem condições de trabalhar? Garanta.
Mas coloque prazo, acompanhamento e uma porta de saída.
Auxílio não pode ser destino. Tem que ser passagem.
A pessoa recebe enquanto precisa e, paralelamente, recebe educação, qualificação profissional, oportunidade de emprego, incentivo para empreender e condições reais para sair daquela situação.
O objetivo deveria ser simples: tirar o cidadão da dependência, não eternizar a dependência.
Porque um governo que realmente quer libertar o pobre trabalha para que ele deixe de precisar do governo.
Já um governo interessado em perpetuar seu próprio poder tem um incentivo perverso: quanto maior a dependência, maior o seu poder sobre quem depende.
É por isso que eu desconfio profundamente dessa política de Estado que promete proteção sem estabelecer uma saída.
E não estou dizendo que toda pessoa que recebe benefício é manipulada. Seria uma estupidez afirmar isso. Há milhões de brasileiros honestos que recebem assistência porque realmente precisam.
O que questiono é o modelo político construído em torno da necessidade dessas pessoas.
E quando aparecem denúncias de corrupção, desvios ou fraudes envolvendo recursos públicos destinados justamente a aposentados, pensionistas ou programas sociais, isso precisa ser investigado até o fim. Não se pode transformar denúncia em condenação sem prova — mas também não se pode tratar denúncia grave como se fosse apenas fofoca quando envolve dinheiro público.
O cidadão precisa saber para onde está indo cada centavo.
Porque dinheiro público não nasce em Brasília.
Sai do bolso do povo.
E é justamente por isso que minha proposta é tão simples:
socorrer quem precisa, educar quem pode avançar, dar trabalho a quem pode trabalhar e estabelecer uma saída para quem recebe assistência.
Não quero um povo eternamente protegido pelo Estado.
Quero um povo suficientemente livre e economicamente forte para poder mandar o Estado para casa quando ele deixar de cumprir sua função.
Porque, no fim das contas, a maior derrota de um governo populista seria um povo que não precisasse mais dele.
E talvez seja exatamente por isso que a verdadeira emancipação do cidadão nunca tenha sido prioridade de determinados projetos de poder.
Pobre dependente vota em quem promete continuar cuidando dele.
Cidadão independente escolhe quem melhor pode servi-lo.
Essa, para mim, é a diferença entre governar um povo livre e administrar um CURRAL eleitoral....
By: Amaro Siqueira Barros (radialista e jornalista)






