Hoje (20 de agosto) é dia de celebrar os 66 anos de Pery Salgado.
E eu poderia simplesmente reproduzir a longa lista de realizações, trabalhos, projetos, jornais, festivais, concursos, homenagens e histórias que fazem parte da trajetória desse carioca que escolheu Maricá para viver e, principalmente, para fazer história.
Mas isso seria pouco.
Porque quem conhece Pery sabe que Pery Salgado não cabe em currículo.
Há pessoas que passam por uma cidade. Outras constroem alguma coisa nela. E existem aquelas que, de tanto participar, criar, provocar, defender, registrar e incomodar quando necessário, acabam se tornando parte da própria história do lugar.
Pery é desses.
Engenheiro por formação, jornalista por vocação, produtor por inquietação e, acima de tudo, um sujeito que nunca parece ter entendido muito bem o significado da palavra “sossego”.
E talvez ainda bem!
Desde muito jovem, já carregava essa necessidade quase incurável de comunicar. Começou no jornalismo ainda adolescente, no Colégio Franco Brasileiro, fazendo jornal mural e jornal falado. Depois vieram rádio, jornais, fotografia, produção cultural, eventos, festivais, concursos, comunicação comunitária e uma infinidade de iniciativas que ajudaram a movimentar Maricá durante décadas.
Mas existe uma parte dessa história que não está em currículo nenhum.
Está na memória de quem conviveu com ele.
E eu tenho algumas dessas histórias guardadas.
Quando eu apresentava o Panela de Pressão, na Rádio Federal, ao lado do meu querido amigo Vicente Silva, diretor-presidente da rádio, havia uma figura que, de vez em quando, simplesmente aparecia por lá.
Sem avisar.
Sem marcar horário.
Sem pedir licença.
Era o Pery!!!
E ele entrava no estúdio como quem já tinha cadeira cativa — porque, na verdade, tinha mesmo.
Eu estava sentado diante do microfone, comandando o programa, e lá vinha o Pery, ficava em pé atrás de mim e começava a meter os bedelhos dele nas reportagens.
😂
Às vezes vinha para trazer uma notícia.
Outras vezes, para acrescentar uma informação.
E, em muitas delas, simplesmente porque ele não conseguia ficar quieto quando sabia que podia contribuir com alguma coisa.
E o mais engraçado é que ninguém reclamava.
Muito pelo contrário.
O Vicente Silva adorava quando o Pery aparecia.
Ele era muito querido e sempre muito bem-vindo naquele estúdio.
A presença dele acabava enriquecendo o programa, porque Pery tinha — e continua tendo — essa característica muito própria: quando entra numa conversa, ele não entra simplesmente para assistir.
Ele participa.
Ele acrescenta.
Ele provoca.
Ele corrige.
Ele lembra.
Ele complementa.
E, se deixar, ele toma conta do negócio também! 😂
Essas lembranças, para mim, valem tanto quanto qualquer uma das grandes realizações que aparecem na biografia dele.
Porque mostram o Pery fora do papel, fora do jornal, fora dos títulos e das homenagens.
Mostram o amigo.
Mostram o companheiro de profissão.
Mostram aquele sujeito que chegava ao estúdio e imediatamente se sentia em casa — e fazia a gente sentir que a presença dele também era parte natural daquele ambiente.
E talvez seja justamente isso que explique tanta coisa na trajetória desse homem.
Pery nunca se conformou em ser apenas espectador.
Ele participa.
Opina.
Briga.
Elogia.
Critica.
Insiste.
Inventa.
Às vezes acerta. Às vezes provoca. Às vezes arruma uma boa confusão — e provavelmente acha graça disso tudo.
Mas está sempre fazendo alguma coisa.
Quando chegou a Maricá, em 1981, provavelmente não imaginava que aquele desembarque às vésperas da festa da padroeira acabaria se transformando em uma relação de mais de quatro décadas.
Vieram Danceteria, Canto de Botequim, A Hora, Tribuna de Maricá, Exato, Jornal de Maricá, Jornal do Município, Culturarteen (hoje CULTURARTE), Barão de Inohan, festivais de Voz e Violão, concursos de beleza e tantos outros projetos.
Vieram também amizades, parcerias, discussões, histórias e uma quantidade de memórias que já daria, tranquilamente, para encher vários volumes.
Pery também construiu uma trajetória de valorização das pessoas. Seus projetos culturais e concursos foram, ao longo dos anos, incorporando gente que muitas vezes ficava à margem dos padrões tradicionais: mulheres de diferentes idades, histórias, corpos, condições e trajetórias.
Ali, a beleza deixou de ser apenas uma questão de aparência e passou a dividir espaço com história de vida, superação, personalidade e exemplo.
Isso diz muito sobre o homem por trás do jornalista.
E há ainda uma parte dessa história que não pode ser esquecida: as batalhas pessoais.
Pery enfrentou problemas de saúde gravíssimos, cirurgias, internações, UTI e uma recuperação que exigiu muito mais do que força física.
E voltou.
Voltou para a vida, para o jornalismo, para os projetos, para Maricá e para aquela língua afiada que, felizmente, parece ter recebido alta hospitalar antes do próprio dono.
Hoje, aos 66, ele continua.
Talvez em ritmo mais moderado.
Talvez com algumas peças de reposição a mais.
Mas continua.
E continua fazendo aquilo que sempre fez: comunicar, criar, provocar, defender aquilo em que acredita e, principalmente, não ficar parado!
Tenho a felicidade de chamar esse sujeito de amigo.
E amizade, para mim, não é simplesmente gostar da pessoa. É reconhecer sua importância, respeitar sua trajetória, conhecer suas virtudes e também saber exatamente onde estão seus defeitos — porque amigo de verdade não precisa acreditar que o outro é perfeito.
Pery está longe de ser perfeito.
Ainda bem.
Perfeição é uma coisa extremamente sem graça.
O que ele é, e sempre foi, é autêntico.
É daqueles sujeitos que você pode até discordar, discutir, mandar para aquele lugar de vez em quando — e provavelmente ele fará o mesmo —, mas sabe exatamente com quem está falando.
E isso vale muito.
Pery, meu amigo:
66 anos muito bem vividos!
Que venham os 67, os 68, os 70 e todos os outros que a vida ainda lhe permitir comemorar.
Continue com seus jornais, seus projetos, suas ideias, suas provocações, suas lutas e essa disposição quase irresponsável de continuar inventando coisa nova.
Porque, como você mesmo diz:
“Vem coisa nova por aí!”
E nós sabemos que vem mesmo.
Feliz aniversário, meu amigo!
Que Deus continue lhe dando saúde, disposição, criatividade e essa vontade danada de continuar fazendo diferença.
E, naturalmente...
66 anos, mas com corpinho de 65..!!!
kkkkkkk...!!!!
Afinal, aniversário é uma questão de matemática.
E, para jornalista, matemática também pode ser opinião. 😂
Parabéns, Pery Salgado..!!!
Um grande abraço deste amigo que tem orgulho de poder dizer:
Eu estava lá. Eu vi. Eu acompanhei. E continuo aqui, torcendo para que você ainda dê muito trabalho por muitos e muitos anos...!!!
By: Amaro Siqueira Barros
"Prezados amigos, leitores, conhecidos, inimigos e todos que por aqui passam (ou não) e me aturam. As palavras do Amaro para mim são suspeitas, pois esse é amigo e o amigo de verdade é aquele que critica, que quando precisa briga, ponha o dedo na cara, reclama, mostra teus erros, elogios os acertos, mas está (mesmo distante) perto das lutas e ideais.
Que texto lindo, obrigado. Continue sendo o Amaro, de tantas lutas, de tantos NÃOS, de vários SIMS.
A luta continua, queremos uma Maricá melhor e não vamos desistir, pois senão, eles nos terão mudado, e figuras como nós, SÃO DIFÍCEIS DE SEREM MUDADAS (ou moldadas).
E sim, VEM COISA NOVA POR AI!
Um beijo no teu coração e com toda a verdade (e tenho moral e tamanho para dizer isso), te admiro muito e te amo sim como pessoa e grande profissional (muito aprendi com você!)."
Pery Salgado (jornalista)







