segunda-feira, 13 de julho de 2026

AUSTERIDADE FISCAL, uma Ficção Científica

A matéria de título acima está publicada no Jornal Outras Palavras, e seu “link” encontra-se ao final do texto. Porém, antes, um breve comentário.


A Economia surgiu ainda na Idade Média, entendida como Economia Política. Ou seja, para muito além de uma simples matemática que resume em números azuis (saldo positivo), e vermelhos (quando negativos), suas proposições. Esta simplicidade, nos dias de hoje, é a linha mestre da maioria dos economistas que estão em voga e/ou principalmente, na mídia atual.

No entanto, teve um período até o final do século XIX, que seu universo de estudo ia além dos números em planilhas. Toda a proposição econômica levava em conta a política, o estado e a sociedade. A partir da segunda metade do século XX, em especial dos anos 70, com o aprofundamento das ideias neoliberais, em especial na Inglaterra, com Thatcher, e nos EUA com Reagan, a Economia foi reduzida a uma simples planilha de números. Onde as questões de estado, humanas e outras, foram apagadas de sua dinâmica. Hoje, ainda se repete a frase de Margaret Thatcher, There Is No Alternative – TINA, que em bom português, é algo como “não há alternativa ou não há outra alternativa”. Hoje usada para justificar a austeridade fiscal. Mecanismo hoje, entendido como um erro grave de análise ou má fé, que é “convencer” aos países com dívida interna superiores a 90% de seu PIB, tendem a não crescer ou mesmo decrescer economicamente. E, como única solução para se recuperar (TINA), realizar um ajuste fiscal, ou como no Brasil, arcabouço fiscal. Levando os Estados se absterem de realizar investimentos em infraestrutura, geração de empregos e outras ações produtivas. Levando estes Estados a um aumento brutal de suas desigualdades e a perda de suas soberanias.

A matéria do Outras Palavras descreve bem como este mantra do ajuste fiscal foi introduzido e a sua desmistificação científica.

Por conta do exposto acima, resgato a definição do economista mestre, segundo Keynes nos apresentou nos idos de 1930:

O economista-mestre tem que possuir uma rara combinação de dons. Ele tem de ser matemático, historiador, estadista e filósofo – em algum grau. Ele tem que compreender símbolos e falar em palavras. Tem que contemplar o particular em termos do geral, e tocar o abstrato e o concreto no mesmo voo do pensamento.

Ou seja, a planilha como uma mera ferramenta de apoio.

Sérgio Lírio, na introdução do livro O tempo de Keynes nos tempos do capitalismo, do Luis Gonzaga Belluzo, escreve: Os atuais comentaristas econômicos, ao menos os brasileiros, já tem dificuldade para unir o sujeito e o predicado, imagine ‘tocar o abstrato e o concreto’ ao mesmo tempo.

Que continuemos o resgate da CIÊNCIA e de nossa HUMANIDADE!

Que a Política volte a comandar a Economia, revertendo a ordem atual, a economia comandando a Política.

https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/austeridade-fiscal-uma-ficcao-cientifica/

Há braços.

Sérgio Mesquita (jornalista)