Grupo criminoso investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões, de acordo com o relatório do Coaf
A Polícia Federal faz uma operação, na manhã da terça-feira (07/7), contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro com postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Os principais alvos são Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim.
Canella que recentemente recebeu o apoio formal do prefeito de Maricá (Washington Siqueira - o Quaquá https://obaraoj.blogspot.com/2026/07/quaqua-provoca-mais-um-racha-no-pt-e.html) também é presidente do União Brasil no Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado. Já Marcus Amin já foi secretário da Polícia Civil do Rio.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), enviado à PF.
Esta é a 6ª fase da Operação Unha e Carne, investigação que anteriormente prendeu os políticos Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio. O ex-governador Anthony Garotinho vem afirmando há meses que todos seriam presos.
Entre os alvos da operação desta terça também estão Juracy Prudencio, ex-policial militar, e Pablo Juquia, conhecido como "Pablo Russo". Em nota, a Polícia Militar informou que Juracy não faz mais parte da corporação desde 2011.
Pablo, além de integrar a equipe do delegado Amin em várias delegacias, seria dono de uma de postos de combustíveis por meio de laranjas. Ele é o principal alvo de hoje da Polícia Federal.
Segunda a PF, a organização criminosa alvo desta etapa é suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos.
Agentes cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
A ação de hoje se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, também conhecida como "ADPF das Favelas".
A Polícia Civil do Rio informou que a Corregedoria-Geral da corporação instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos. "A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade".
Em nota, o Coaf explicou que dados, informações e análises de relatórios financeiros são sigilosos e que não conduz investigações. Leia na íntegra:
"O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não se manifesta sobre casos concretos. Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) são elaborados pelo Coaf, após a análise de comunicações de operações consideradas suspeitas ou atípicas. As comunicações são encaminhadas ao Coaf pelos setores obrigados, nos termos da legislação vigente. Os dados, informações e análises dos RIFs são protegidos por sigilo e não podem ser divulgados pelo Coaf. Quando o Coaf identifica movimentações relevantes, encaminha os RIFs às autoridades competentes, como a Polícia Federal e o Ministério Público. Estes órgãos poderão usar os relatórios para subsidiar eventuais investigações. O Coaf atua como unidade de inteligência financeira e não possui atribuição para conduzir investigações criminais".
Balanço final da operação
A operação contou com a apreensão de cerca de R$ 919 mil e US$ 13 mil, em espécie; um fuzil de calibre restrito; nove armas curtas (revólveres e pistolas); sete computadores; 23 aparelhos celulares; 11 veículos de luxo; joias e relógios de luxo e diversos documentos.
Além de Canella, um policial militar também foi preso. Ele portava uma pistola e estava na residência de um dos investigados, em Camboinhas, em Niterói no Rio de Janeiro.










