Mulher Banana, pioneira do funk carioca, é encontrada morta em casa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que investigar o caso e que o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal.
A cantora Julyana de Souza Pontes, conhecida como Mulher Banana ou Garota X, morreu aos 49 anos, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A artista foi encontrada morta dentro de casa, no bairro Engenho Pequeno, na sexta-feira (30/10) e sua morte é considerada suspeita.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que investigar o caso e que o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal. O atestado aponta morte súbita, mas a causa ainda não foi esclarecida.
Mulher Banana ganhou projeção nacional no início dos anos 2000, quando passou a integrar a equipe Furacão 2000, uma das principais responsáveis pela popularização do funk carioca.
Conhecida também como Garota X, ela conquistou reconhecimento com a música "Mulher Banana", que acabou dando origem ao nome artístico. A cantora é lembrada como uma das pioneiras da representatividade de mulheres trans no funk, em um período em que artistas trans tinham pouca visibilidade no cenário musical brasileiro.
Além da carreira musical, Julyana também se dedicava à proteção animal e acolhia gatos em situação de abandono. A morte da artista provocou manifestações de pesar de nomes do funk.
A cantora Tati Quebra Barraco publicou uma homenagem nas redes sociais e destacou a importância da amiga para o gênero musical. MC Xuxú também lamentou a perda e descreveu Julyana como uma travesti que abriu caminhos e ocupou espaços na história do funk brasileiro.
Marcela Porto, conhecida como Mulher Abacaxi, usou as redes sociais na tarde do sábado, 31 de outubro, para lamentar a morte da amiga Julyana Barbosa, a Mulher Banana ou Garota X, encontrada morta em sua residência, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense no Rio de Janeiro.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a Mulher Abacaxi relembrou a amizade de longa data com a cantora, falou sobre a violência contra mulheres trans no Brasil. “A Julyana, conhecida como Garota X ou Mulher Banana, era minha amiga de muitos anos. Estou até tentando procurar uma foto nossa para postar. Conheci ela na época da minha transição, há muitos anos, em Nova Iguaçu, quando eu morava em Caxias“, contou Marcela morando atualmente em Maricá.
De acordo com ela, as duas se conheceram no início da trajetória de Marcela e compartilharam uma ligação com a equipe Furacão 2000, que ajudou a popularizar o funk carioca. Julyana ganhou notoriedade nos anos 2000 com o sucesso Mulher Banana e ficou conhecida como uma das pioneiras da representatividade trans no gênero.
Ainda em seu desabafo, Mulher Abacaxi relatou informações chocantes que recebeu sobre as circunstâncias em que o corpo da amiga foi encontrado e relacionou a perda à violência enfrentada por mulheres trans no país.
“Infelizmente, ela foi encontrada morta. Os parentes encontraram o corpo já em estado de decomposição, três dias depois. Ela entrou para a estatística. O Brasil é o país que mais mata mulheres trans no mundo. Inclusive, lidera esse ranking há 18 anos. E também é o país que mais consome filmes pornográficos com mulheres trans“, afirmou.
“Minha amiga, de coração, vai com Deus. Que Deus te ilumine. Continue com aquele sorriso lindo que você tinha, aquela felicidade e aquela alegria. Que os familiares da Garota X se sintam acolhidos e abraçados neste momento. Ela vai brilhar lá no céu, como brilhou nos palcos da vida. Infelizmente, perdemos ela. Nós perdemos, mas Deus ganhou uma nova estrela. Vai com Deus, minha amiga“, declarou Marcela, a Mulher Abacaxi.
A Coordenadora de Diversidade Sexual - Paulinha Única (mulher trans) escreveu em sua rede social Facebook:
"Hoje é um dia de profunda tristeza para toda a comunidade LGBTQIA+ e, especialmente, para a população trans.
Perdemos uma grande artista, Garota X, carinhosamente conhecida como Mulher Banana, que teve sua vida brutalmente interrompida dentro de sua própria casa, vítima de um crime que não pode ser tratado com silêncio ou indiferença.
Como Coordenadora de Diversidade Sexual, manifesto meus mais profundos sentimentos de pesar aos familiares, amigos, admiradores e a toda a comunidade que hoje chora essa perda.
Sua partida deixa uma lacuna na arte, na cultura e na história da nossa comunidade. Nenhuma pessoa deveria ter sua vida interrompida pela violência. Nossa existência não pode ser marcada pelo medo, pela discriminação e pela impunidade.
Exigimos justiça! Que o crime seja rigorosamente investigado, que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados e que esse caso não seja esquecido.
A população trans tem direito à vida, à dignidade, à segurança e ao respeito. Não podemos normalizar a violência contra nossos corpos e nossas histórias.
Hoje, nossa homenagem é de dor, mas também de resistência. Que a memória de Mulher Banana seja respeitada e que sua morte não se transforme em mais um caso sem respostas.
Luto, respeito e justiça por Garota X, nossa eterna Mulher Banana", declarou emocionada.
A polícia investigará a morte.
















