Em 1900, o carro mais comum nos Estados Unidos não era a gasolina. Era elétrico ou a vapor.
Os carros a gasolina representavam apenas 22% do mercado. Os elétricos chegavam a 38%. Os restantes eram movidos a vapor.
O carro elétrico da foto, tirada em 1912, carrega as baterias durante a noite numa garagem particular. A placa "U.S.L." no carro identifica baterias da U.S. Light & Heat Corporation, uma das principais fornecedoras da época. A autonomia típica desses veículos era de 80 a 130 quilómetros por carga — suficiente para qualquer deslocamento urbano.
E era exatamente para uso urbano que o carro elétrico era superior em quase tudo. Era silencioso. Não largava fumos nem cheiros. Arrancava com um simples botão, enquanto os carros a gasolina exigiam uma manivela de arranque manual que partia pulsos e dedos. Era mais fiável a curto prazo. O presidente Woodrow Wilson usava um Milburn Electric para as suas deslocações em Washington. A esposa de Henry Ford, Clara, preferia o Detroit Electric ao carro que o marido fabricava.
A Detroit Electric foi o maior fabricante de carros elétricos da época — entre 1907 e 1939 produziu cerca de 13.000 veículos. Thomas Edison comprou o segundo carro Baker Electric que saiu de fábrica. Os centros comerciais de Nova Iorque já tinham postos de carregamento em 1910 para atrair clientes abastados.
O declínio foi rápido e veio de vários lados ao mesmo tempo. Em 1908, Henry Ford lançou o Model T — mais barato, mais rápido e com maior autonomia. Em 1912, o engenheiro Charles Kettering inventou o arranque eléctrico para carros a gasolina, eliminando a necessidade da manivela perigosa. O petróleo americano era abundante e barato. As estradas melhoraram e alongaram as viagens típicas para além da autonomia dos elétricos. Em 1915, os carros elétricos tinham caído para 5% do mercado.
FONTES:
U.S. Department of Energy. "The History of the Electric Car."


